08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Importância do assistente social na área da saúde pública de Bauru


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O trabalho interdisciplinar é de extrema importância, pois vem desmistificar velhos hábitos em restringir o usuário aos aspectos fisiopatológicos da doença, mas sim considerá-los como sujeitos singulares em suas múltiplas expressões, que devem ser consideradas em todo seu processo de tratamento e reabilitação. Diante disso, a participação do assistente social é de fundamental importância, pois sua prática profissional contribui para o atendimento imediato às demandas de saúde da população. Ao reconhecer a saúde como resultado das condições econômicas, políticas, sociais e culturais, o Serviço Social passa a fazer parte do conjunto de profissões necessárias à identificação e análise dos fatores que intervém no processo saúde/doença.

Outro fato que vem contribuir para a ampliação da inserção do assistente social no campo foi a mudança no processo de gestão da política de saúde, tendo na descentralização político e administrativa a principal estratégia. Com a crescente municipalização da política de saúde os municípios tiveram que contratar diversos profissionais para garantir a gestão local da política, dentre eles, o assistente social.

A política pública de saúde é o setor que, historicamente, mais tem absorvido profissionais de serviço social. O Conselho Nacional de Saúde (CNS), através da resolução 218/1997, reconheceu o assistente social como um dos 13 profissionais de saúde de nível superior - junto com o biólogo, profissionais de educação física, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos veterinários, nutricionistas, odontólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. A própria formação do assistente social e no seu compromisso ético-político expresso no Código de Ética da profissão de 1993, coloca que um dos principais fundamentos do serviço social é o posicionamento em favor da eqüidade e justiça social, que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como sua gestão democrática. Nesse sentido, os assistentes sociais, no âmbito municipal, vêm assumindo novas funções no setor, como participar do processo de gestão da saúde, atuar nos conselhos de saúde, na formulação, planejamento, monitoramento e avaliação da política, distanciando-se das antigas funções rotineiras e burocratizadas, restritas à execução de ações subsidiárias ao saber médico.

Os assistentes sociais se inserem, assim, no processo de trabalho em saúde, como agente de interação entre os níveis do Sistema Único de Saúde (SUS), com as demais políticas sociais, sendo que o principal objetivo de seu trabalho no setor é assegurar a integralidade e intersetorialidade das ações.

Com um quadro expressivo de 39 assistentes sociais, a maioria atuando junto à Secretaria Municipal de Saúde há mais de 15 anos, nas Unidades Básicas de Saúde, na urgência e emergência, nos atendimentos especializados, na saúde mental, no DST/aids, saúde coletiva, saúde do trabalhador, prevenção do câncer, no atendimento direto à população, na coordenação, chefias e diretorias de serviços e no controle social através dos conselhos de saúde.

A proposta de inclusão da categoria profissional dentro do plano de carreiras, cargos e salários da Secretaria Municipal de Saúde de Bauru tem total embasamento na política pública de saúde e vem de encontro a uma administração democrática, cujo principal objetivo é oferecer um serviço de qualidade com garantia de direitos aos usuários do sistema de saúde de Bauru. A conquista de uma política de saúde com qualidade deve ser uma luta cotidiana, em conjunto entre os trabalhadores, os usuários e os gestores.

Kátia Cristina R. Turato