09 de julho de 2026
Geral

Vigilância Sanitária notificou Hospital de Base

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 4 min

A Vigilância Sanitária de Bauru já havia notificado o Hospital de Base (HB) das inconformidades encontradas pela fiscalização do órgão na instituição administrada pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB), investigada por desvio de verbas, superfaturamento e cobranças indevidas de serviços. Problemas com assepsia e contaminação, falta de remédios, irresponsabilidade com doentes nos leitos e nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), comida azeda, equipamentos quebrados, entre outros, foram relatados ontem ao JC por uma técnica de enfermagem que trabalhou oito anos na AHB e foi demitida após denunciar as irregularidades.

“Nós sempre fizemos as ações de Vigilância Sanitária no sentido de relatar as coisas que estavam fora da conformidade, de fazer notificações das coisas que precisavam ser modificadas. Mas quem detém o controle da instituição ou quem é dono é quem tem que investir nas coisas que precisam ser feitas. Certamente há notificações nesse sentido. Aliás acho que há várias. Você trazer uma situação de total inviabilidade para o funcionamento do hospital seria suspender os atendimentos”, afirmou o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Fernando Monti.

As ações de vigilância em Bauru foram transferidas para o município há pouco tempo, explica o secretário. Antes, o trabalho era realizado pelo governo estadual, que também é o gestor dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) nos hospitais de Base e Maternidade Santa Isabel, administrados pela associação. “Ficamos numa situação bastante cruel. Quando você se depara com serviços desse tipo, você poderia, sendo mais rigoroso, dentro de um processo de vigilância, dizer que está interditado e o hospital diria que está suspenso o atendimento, porque não tem condição de fazê-lo sem esses serviços”, disse.

De acordo com o secretário, há questões relacionadas aos procedimentos adotados dentro do hospital e ao aspecto estrutural da instituição, objeto de fiscalização da vigilância municipal. Para Monti, é possível melhorar as condições, mesmo com o aspecto físico adverso, alterando os tipos de procedimentos. “No mesmo espaço físico é possível adotar normas de procedimentos para não trazer riscos à saúde. A questão de esterilização, por exemplo, é norma de procedimento, não tem nada a ver com a instalação física. Faltar sabão para lavar a mão é uma coisa de procedimento, não tem nada a ver com a estrutura. Acho que há vários aspectos do problema que têm que ser discutido cada um na sua dimensão.”

Absurdo

Fernando Monti ainda lamentou a situação narrada pela técnica de enfermagem sobre o descaso com pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital de Base (HB). “É um absurdo os pacientes serem tratados dessa maneira, a gente tem que lembrar que são os pacientes mais pobres, mais necessitados, aqueles que dependem do sistema de saúde.” Entretanto, o secretário de Saúde reiterou a importância da instituição hospitalar para o atendimento municipal.

“É bem verdade que a porta mais aberta que tínhamos para dar apoio ao pronto-socorro sempre foi o HB. Esse é um dado de realidade, que deve ser falado. A própria leitura (da reportagem) deixa a gente comovido com os pacientes. Estamos pregando isso na secretaria. Temos que ter um movimento para que os funcionários da saúde de forma geral voltem a ter o gosto de ser prestador desse cuidado. Ter o gosto de cuidar das pessoas. A gente percebe na narrativa que essa noção da prestação de cuidados estava meio perdida. Isso deixa a gente bastante sensibilizado”, afirmou.

Para o interventor da associação, Fábio Tadeu Teixeira, houve exagero nas denúncias. “A gente teria um índice de infecção hospitalar muito alta. E não é assim. Então não me parece que é um certo exagero. Muita gente foi atendida, muita gente foi operada, muita gente foi curada. Do jeito que estão colocando, parece que o hospital só matava as pessoas. Pelo menos os números não mostram isso. Poderia ser melhor? Com certeza, mas me parece um certo exagero o que tem se colocado.”

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Secretário defende municipalização

O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, voltou a falar ontem da municipalização de gestão dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, a Prefeitura de Bauru não tem o desejo de administrar os hospitais e transformá-los em instituições municipais, com funcionários contratados pelo município.

“Na grande maioria das cidades, equivalentes à cidade de Bauru, quem regula o convênio com o hospital é o município. Quando falo em municipalização é em relação à gestão municipal – e não é uma ação isolada do município de Bauru, essa alternativa precisaria ter aprovação de um colegiado - , seria a gestão dos recursos de transferência do SUS, através dos convênios, feitos via município e não via Estado, como é feito hoje”, afirmou.

Atualmente, quem controla a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) é o governo estadual. “Os hospitais são de propriedade do Estado. Aliás, eles podem até continuar geridos por uma entidade, que pode ser a AHB oxigenada, revista, pode ser uma sucessora. A gerência do hospital nós não temos interesse. Não que o município não tenha capacidade de fazer isso. A administração do hospital é uma coisa, gestão dos serviços é outra. O que nós queremos é estar dentro do processo de gestão de serviços dos hospitais.”