09 de julho de 2026
Nacional

Uniban desiste de expulsar aluna

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Em um comunicado com 58 palavras assinado pelo reitor Heitor Pinto Filho, a Universidade Bandeirante (Uniban) revogou ontem a decisão de expulsar a aluna Geisy Villa Nova Arruda, 20 anos, tomada pelo Conselho Universitário da instituição na última sexta-feira. Com isso, a aluna do curso de turismo poderá voltar a freqüentar a faculdade. Também ficou sem efeito a decisão de suspender seis dos alunos apontados como agressores da universitária.

A Uniban não informou se pretende adotar medidas especiais de segurança para garantir que Geisy não volte a ser hostilizada pelos colegas que, no dia 22 de outubro, a perseguiram, encurralaram, xingaram e ameaçaram -i nclusive de estupro -, alegadamente por causa do microvestido rosa que ela trajava.

Ontem, o assessor jurídico da Uniban, Décio Machado, afirmou que o reitor também havia participado da reunião do colegiado que decidiu expulsar a aluna. O assessor não quis comentar os motivos que levaram ao recuo da universidade.

Anteontem, a Uniban divulgou pelos jornais a decisão de expulsar a aluna. Em um texto com 400 palavras encimadas pelo slogan “Responsabilidade Educacional”, acusou a estudante, entre outras coisas, de freqüentar as dependências escolares “em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade”.

Geisy, que deu uma entrevista coletiva ontem à tarde, defendeu-se. Nem ela nem seus advogados quiseram comentar o recuo da administração universitária.

Na coletiva, os advogados ameaçaram a universidade com processo por danos morais e materiais, além de recitarem os sete crimes que teriam sido cometidos contra a jovem: “Foi difamação, injúria, ameaça, constrangimento ilegal, cárcere privado, incitação ao crime e ato obsceno”, disse o chefe da equipe, Nehemias Melo.

Durante todo o dia, a universidade foi alvo de protestos. A Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo federal enviou ontem ofício à Uniban e ao Ministério Público condenando a expulsão da aluna e pedindo justificativas formais da universidade. A ministra Nilcéa Freire chamou de “arbitrariedade” o ato da Uniban, porque transformou Geisy em culpada pela agressão de que foi vítima.

O Ministério Público Federal em São Paulo abriu ontem inquérito sobre o caso.

O Ministério da Educação notificou a Uniban para que explicasse a decisão de expulsar a aluna.

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Protesto e vaias

São Paulo - Integrantes de diversos movimentos sociais realizam desde o início da noite de ontem um protesto contra hostilidades praticadas na Uniban contra a aluna. O protesto, entretanto, não agradou a muitos alunos que, de dentro do campus, vaiaram e pediram a retirada dos manifestantes.

Enquanto um grupo de cerca de 20 pessoas discursava em cima de um carro de som contra a hostilidade à estudante, mais de 200 estudantes vaiam os manifestantes e gritam “Fora! Fora!”. Um aluno e uma pessoa envolvida no protesto chegaram a discutir do lado de fora do campus, mas não houve violência.

Embora a agressão à jovem divida opiniões entre os alunos, muitos estudantes disseram se sentir prejudicados pela repercussão do caso na imprensa. Universitários disseram temer que o caso prejudique suas carreiras. “Estamos indignados com a generalização de um grupo de pessoas em nome de toda uma faculdade. Se eu fosse patrão, não iria contratar ninguém dada a repercussão que a Uniban está tendo”, disse Juliana Fazion, 25 anos, aluna de educação física.

Outros dizem acreditar que o caso tomou proporções exageradas. “Errada foi Geisy de ter vindo do jeito que veio vestida. Estão fazendo uma tempestade em copo d’água”, afirmou Jeane Ferreira, 20 anos, estudante de recursos humanos e gestão de pessoas.