08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Educação escolar é ação coletiva


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É comum ouvirmos a expressão: O Brasil não é um país sério. O que ocorreu ultimamente no Senado Federal com os comentários na imprensa escrita e na televisão, sobre o comportamento irresponsável dos senadores, favorece essa conceituação lamentável que denigre a imagem do Congresso Nacional.

As atitudes dos senadores no exercício do mandato, além de macular a imagem do Senado Federal, acarretam reflexos altamente negativos na formação das novas gerações. Duas críticas contundentes foram feitas sobre essa situação, em editoriais do jornal Folha de São Paulo, nas edições dos meses de agosto e setembro passados.

A do mês de agosto, o editorial intitulado “A hora do Chacrinha”, afirma que as cenas no Senado Federal ultrapassaram o acintoso para equipararem-se ao deboche genial do antigo apresentador da televisão. A comédia é de tal ordem que talvez a única coisa a ser levada a sério no Senado seja a idéia de extinguir-se, de uma vez por todas, o seu Conselho de Ética, diz o editorial. No mês de setembro, o editorial sob o título “Agora, os cartórios”, comenta a proposta de emenda à Constituição Federal que efetiva titulares de cartórios, não concursados, afirmando: “O Congresso se inclina a abandonar notários sem concurso, e o STF se torna a única instância capaz de barrar mais essa farra”.

Não bastassem tais fatos, tem ainda a promulgação pelo Congresso a emenda constitucional que aumenta em 7.709 o número de vereadores nas Câmaras Municipais, com posse imediata de candidatos derrotados nas últimas eleições. Mas, a ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, determinou dia 02/10 a suspensão desses novos vereadores que estavam assumindo cadeira nas Câmaras Municipais.

Ressalte-se, Talita Nascimento, presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, entidade representativa dos alunos da Faculdade de Direito da USP e Marco Antonio Moreira da Costa, presidente do Centro Acadêmico 22 de Agosto, entidade representativa dos alunos da Faculdade de Direito da PUC/ SP, assinaram artigo sob o título “Movimento estudantil pede ética”, publicado na coluna – Tendências/ Debates – da Folha de São Paulo (02/10), focalizando as denúncias contra o presidente do Senado José Sarney, que foram arquivadas, e sobre a realização do movimento estudantil com o slogan “Fora Sarney”.

Essas atitudes desairosas dos representantes do povo no Parlamento, maior da Nação, me fez lembrar o livro “Manual de Pedagogia Moderna”, Everardo Backeuser. Registra o autor: “Por mimetismo em pedagogia entende-se o conjunto de ações pelas quais o educando, a princípio copia e, depois, fixa qualidades de pessoas que o cercam e lhes servem de paradigma, ou, por extensão, quando adquire hábitos. Por efeito de simples imitações alterem-se costume, modificam-se sistemas políticos, transformam-se concepções de filosóficas”.

Assim, temos a importância do fenômeno da imitação pelas crianças, adolescentes e jovens, com reflexos na formação de sua personalidade, no seu comportamento.

O saudoso professor Sólon Borges dos Reis, que foi presidente do Centro do Professorado Paulista, por 40 anos (1957/ 1997), e exerceu cinco mandatos de deputado estadual e outros dois de deputado federal, e constituinte da Constituição Federal de 1998, registra em seu livro “A crise contemporânea da educação” (1978): “Os moços se impressionam muito mais pelo comportamento e pelas atitudes, do que pelas palavras. E gostam de conferir aquilo que a gente diz com o que a gente faz. Os políticos que vencem, fazem escola no mundo político e fora dele. E quando um demagogo consegue êxito, cresce o número dos que querem abrir caminho e fazer carreira recorrendo a demagogia”.

Como se observa, a força do mimetismo, a reprodução na imitação é de influência maléfica ou benéfica. Os políticos por desempenharem uma função pública de enorme relevância e responsabilidade, não podem esquecer: o importante para a coletividade é o espírito público. Sem espírito público, de nada valem para o povo a honestidade e a capacidade dos políticos, em relação aos interesses comunitários.

Não será apenas com o hasteamento da Bandeira Brasileira e com o canto do Hino Nacional, obrigatório semanalmente, nas escolas, que estas conseguirão sozinhas formar as novas gerações de homens honestos, independentes, para o exercício consciente da cidadania, responsáveis, defensores da Pátria, com espírito público. É o mesmo que combater a praga em um arbusto, pulverizando as folhas, quando a praga se encontra na raiz.

Rodolpho Pereira Lima - membro honorário da Academia Paulista de Educação de São Paulo e da Academia Bauruense de Letras