Cerca de 170 crianças, entre 2 e 5 anos e meio, da escola municipal de educação infantil (Emei) Stélio Machado Lourenzo vão ficar em casa até sexta-feira, já que tiveram as aulas suspensas. A medida foi tomada após reunião entre as Secretarias de Obras e Educação, na tarde de ontem, como precaução pois a instituição está localizada na quadra 3 da Praça Rodrigues de Abreu, Centro, ao lado do prédio da Igreja Santa Terezinha. O templo religioso foi interditado no mês passado por decisão do Conselho de Presbíteros da Diocese do município, com base em laudo que apontou graves falhas na fundação do prédio.
A decisão foi anunciada aos pais dos alunos por meio de reunião, informa a Secretária Municipal de Educação, Majô Jandreice (PC do B). Durante o período de suspensão das aulas, a Secretaria Municipal de Obras e Educação, juntamente com representantes da igreja Santa Terezinha, se reunirão com os órgãos de classe ligados à engenharia do município, para juntos analisarem as condições do prédio da Emei e, posteriormente, tomar as decisões definitivas quanto à manutenção ou não das atividades na unidade escolar.
“Alguns pais estavam com medo de deixar as crianças na Emei. Estamos fazendo nossa obrigação, que é cuidar”, afirma Majô.
Caso a avaliação aponte que o prédio também deve ser interditado, ainda não foi definido onde as crianças terão os últimos 30 dias de aula do ano letivo. “Estamos estudando algumas alternativas, mas não temos nada definido. A gente não sabe se elas vão ou não continuar na instituição. Por isso, fica difícil definir alguma coisa”, revela a secretária.
O caso
A igreja de Santa Terezinha foi interditada no dia 26 de outubro para resolver problema estrutural, com a execução de fundações profundas com aproximadamente 12 metros e a inserção de blocos apoiando as paredes. O tempo estimado para a conclusão da obra é de seis meses, mas não há previsão para o início dos trabalhos. As cerimônias litúrgicas foram transferidas para o salão paroquial, atrás da paróquia.
O prédio é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac) desde outubro de 2002 e, por isso, qualquer alteração precisa ser aprovada pelo órgão. Além disso, já havia um projeto de restauração da igreja, aprovado pelo Codepac e Ministério da Cultura em 2003, e ele deve ser concluído antes que outra obra seja executada no local.
No entanto, a restauração nunca começou, pois o projeto seria realizado por meio da Lei Rouanet. Segundo uma determinação do Ministério da Cultura, para que as obras tivessem início, a paróquia teria que arrecadar por meio de doações R$ 370 mil, o que equivale a 20% do valor total da reforma, orçada em R$ 1,7 milhão.
Como a igreja arrecadou apenas R$ 300 mil, a obra não foi realizada e a conta bancária na qual estão depositados os recursos arrecadados está bloqueada.