09 de julho de 2026
Geral

Mulher conta saga de nove dias no HB

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

A telefonista Rosângela Aparecida Martins teve o azar de conhecer a fundo o caos que tomou conta do Hospital de Base (HB) devido às falhas de gestão dos últimos anos. No dia 16 de setembro passado, ela foi internada na instituição em decorrência de uma infecção urinária. Foi liberada no dia 18, apesar de ainda não estar recuperada.

Dia 25, o quadro de Rosângela voltou a se complicar, e ela precisou ser novamente hospitalizada. Passou nove dias de cama, tomando antibióticos. Foi liberada em 4 de outubro, um dia depois de se submeter a um exame que constatou algo que deixou seu marido, o professor Leonam Loureiro da Silva, desesperado.

“Com o resultado do exame em mãos, o médico me disse que não havia mais nada a fazer por minha esposa”, conta Leonam. Ele fez questão de anotar com minúcias todos os lances do drama vivido pela esposa.

Rosângela foi internada por volta da hora do almoço. Segundo Leonam, a esposa passou a tarde inteira sem comer. À noite, quando foi visitá-la, ficou sabendo que ela também não havia jantado. “Alegaram que não deu tempo de encaminhar o prontuário dela à cozinha, por isso não deu para reservar a refeição. Em todo caso, a enfermeira-chefe de plantão deu um jeito de encaminhar chá com bolachas para o quarto”, diz o professor. Como ele é funcionário do Estado, fez todos os procedimentos por meio do convênio com o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe).

Depois que comeu, Rosângela teria passado mal. “Ela vomitou demais. Não havia vasilha, então ela precisou usar a lata de lixo. Só que não havia embalagem plástica, e, para piorar, o recipiente estava furado. A sujeira vazou pelo quarto todo”, relata Leonam. Era noite, e ele precisou voltar para a casa, já que a presença de acompanhantes homens não é permitida nos dormitórios femininos do HB.

“Antes de sair, chamei a enfermeira e pedi que mandasse alguém limpar o quarto”, afirma. No dia seguinte, ao retornar ao local, por volta das 8h, notou que nenhuma faxineira havia passado por lá. Rosângela dividia o quarto com outra mulher. No banheiro, segundo Leonam, não havia papel higiênico nem sabonete. “Dava medo de olhar para o chuveiro. Tinha uma crosta de lodo nele. Quando abria a torneira, a água saía verde”, afirma ele.

Leonam garante que, em todo esse tempo, a saúde de Rosângela não deu sinais de melhora. Em conversas informais, enfermeiros davam a entender que a situação não apresentava progressos devido às condições de higiene do local. “O médico me dizia que, se dependesse da medicação, já era para ela estar curada”, diz ele.

De acordo com Leonam, a roupa de cama do quarto não foi trocada entre os dias 25 e 30. “Só mudaram depois que protestei com uma enfermeira. Na ocasião, ela me disse para ter paciência, pois a situação no hospital era precária. Faltavam lençóis, comida e até medicamentos”, afirma.

Como o quadro de Rosângela não apresentava melhora, ela acabou sendo liberada e seguiu o tratamento com antibióticos em casa. “Minha esposa ainda sente muitas dores”, confirma Leonam. De agora em diante, se algum familiar ficar doente, ele garante que evitará procurar auxílio no HB.