08 de julho de 2026
Geral

Luso pode vender bosque por R$ 6 mi

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Em reunião realizada ontem à noite com a diretoria da Associação Luso Brasileira, os conselhos deliberativo e fiscal do clube decidiram marcar para o próximo dia 26 de novembro a assembléia extraordinária que definirá se parte da área da sede social da entidade será efetivamente vendida, com proposta que pode chegar a R$ 6 milhões. Conforme o estatuto do clube, alterado recentemente, a comercialização do espaço terá de ser aprovada por 50% dos sócios mais um, em primeira convocação, ou em segunda convocação, pela maioria dos associados presentes na assembléia.

A expectativa do presidente da Luso, José Ângelo Oliva, é que a venda de 6.920 metros quadrados de área renda até R$ 6 milhões aos cofres do clube. O trecho corresponde a cerca de um terço da área da sede social do clube, que abrange quase 17 mil metros quadrados situados em uma região nobre da cidade, próximo à avenida Getúlio Vargas, na Zona Sul.

Caso a alienação de parte da sede seja aprovada pelos sócios, o conselho deliberativo irá receber oficialmente as propostas dos grupos empresariais interessados e escolher a que melhor satisfizer os interesses do clube. “A decisão em assembléia passará pelo crivo do conselho, que também será o responsável por apreciar as propostas apresentadas e definir a mais apropriada”, completa César Dória Vieira, presidente do Conselho Deliberativo da Luso.

O JC apurou que cerca de três ofertas vieram de fora da cidade e outra de uma construtora local. Em todos os casos, o objetivo é transformar os quase 7 mil metros quadrados de área, nos fundos do clube (onde estão situados o bosque, as quadras de tênis, a sauna e a academia), num prédio residencial.

A direção baterá o martelo na melhor proposta que, em princípio, deve vir de São Paulo. Pelo que a direção apurou, na Capital haveria interesse em pagar mais de R$ 700,00 o metro quadrado. A cotação em Bauru varia entre R$ 500,00 e R$ 600,00.

Dívida

De acordo com o presidente, se a venda for concretizada, será possível quitar a dívida de R$ 2,1 milhões oriunda de atrasos com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), empréstimos bancários e indenizações de ações trabalhistas. “Também temos um débito de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), mas temos crédito com a prefeitura e ainda estamos negociando essa pendência”, observa Oliva.

Segundo ele, o dinheiro restante deve ser utilizado para construir uma nova academia para o clube, já que a atual está localizada na área a ser comercializada. “A academia será mais ampla. Também faremos uma piscina coberta e aquecida, de 16 metros por 8 metros, para a prática de hidroginástica, além de nova sauna, cobertura de duas quadras de tênis e de duas quadras poliesportivas e reforma e climatização de dois salões”, detalha o presidente.

Oliva não descarta que, no futuro, toda a sede social passe para outras mãos. “Por enquanto, não existem planos imediatos para que isso ocorra, mas, certamente, em algum momento a gente terá que sair daqui. Pode ser que aconteça em 20 anos, ou antes disso”, despista.

A possibilidade é tão iminente, no entanto, que a cláusula na escritura de doação da área – feita pelo primeiro presidente do clube, o comendador José da Silva Martha – não autorizava a venda de determinados espaços da sede social. Mas a alteração burocrática já foi realizada e só depende de aprovação.