Os problemas relatados com exclusividade pelo JC na edição do último domingo, através de revelações de uma técnica de enfermagem que trabalhou oito anos na Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e foi demitida após denunciar irregularidade em procedimentos médicos e administrativos da entidade, causaram reações diferentes entre os vereadores, durante sessão de ontem do Legislativo. A diretoria da AHB é investigada por desvio de verbas, superfaturamento e cobranças indevidas de serviços.
Todos lamentaram as denúncias. Entretanto, membros do G7 (grupo de oposição) tornaram a pedir cautela nas manifestações públicas sobre o caso. Outros parlamentares afirmaram que a Câmara deve se posicionar em relação ao assunto e ainda atacaram o PSDB diante das declarações feitas na Assembléia Legislativa do Estado pelo deputado Pedro Tobias, que mantinha em seu quadro de assessores o ex-superintendente da AHB, Reinaldo Rocha. Nesta manifestação, o deputado tucano afirmou que não sabia dos acontecimentos.
“O fio do novelo está sendo puxado. Nomes estão aparecendo. Dizer ‘eu não sabia’ não serve. O que foi veiculado é grave. Os apadrinhados também têm de ser punidos. O papel dos vereadores é fiscalizar, estar bem próximo dos fatos”, afirma Fabiano Mariano (PDT). Mas para o demista José Roberto Segalla, este é um momento para esperar o resultado das investigações que estão em curso.
Além disso, o parlamentar ressaltou que é preciso conhecer os dois lados para não fazer juízo de valor. “É preciso acompanhar o caso. Mas é necessário tomar um certo cuidado para não criar certas expectativas em relação aos vereadores. Que poderes a gente tem senão o de requisitar documentos?”, diz.
Entretanto, na opinião de Roberval Sakai (PP) os vereadores não podem se calar. “O que me assusta é que esse assunto foi falado pelo vereador Amarildo. Na tribuna da Assembléia, o nobre deputado (Pedro Tobias) se diz inocente. Quando convidou seu assessor Reinaldo Rocha para integrar a equipe, ele era o superintendente da associação. O ex-vereador Parreira já apresentou algumas denúncias. Precisamos investigar isso. Acredito na idoneidade do deputado.”
Na mesma linha dos colegas de oposição, do G7, o tucano Marcelo Borges disse que a ação, neste caso, está aquém do que os parlamentares podem fazer. “Nós estamos acompanhando toda a situação. Mas é outra esfera. A fiscalização que temos que fazer é dos recursos públicos.” Gilberto dos Santos, o Giba (PSDB), foi mais enfático. “Não posso julgar as pessoas, mas quem faz farra com o dinheiro público merece cadeia. Se no passado algum vereador deixou passar em branco, hoje com esta Câmara será diferente.”
Fernando Mantovani, também da bancada tucana, voltou a comparar os escândalos na associação a um câncer que está em fase de metástase (terminal). “Acharam que fui duro naquela ocasião. Não fui. Agora com essas denúncias deve-se começar o tratamento. Preocupa-me como está a moral de todos os colaboradores, que não têm nada a ver com esse câncer. Conclamamos todos a ajudar. Quero fazer parte dessa força-tarefa”, diz.
Conseqüências
Anteontem, o relato do descaso da AHB em relação aos pacientes e funcionários do Hospital de Base (HB) provocou uma tentativa de reunião de forças para garantir a prestação de serviços na unidade e colaborar com o interventor da entidade, Fábio Tadeu Teixeira. A preocupação com o futuro da associação também mobilizou leitores do JC que, durante todo o último domingo, manifestaram apreensão em relação à crise instalada na instituição. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) informou que se reunirá com o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti (PR), para discutir a contribuição que o município pode dar nesse processo.
“É lamentável o episódio com o HB. Concordo com o vereador Segalla que é hora de esperarmos. Não vamos falar em corrupção, mas o hospital tem uma dívida. Nós vamos assumir isso?”, questionou Moisés Rossi (PPS). O petista Roque Ferreira diz que os parlamentares não podem se prender aos fatos policiais. “Temos que fazer o debate do modelo de gestão.”