A erosão em uma área de preservação ambiental da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru é apontada como responsável pelo assoreamento (perda da profundidade) da lagoa do Zoológico. Conseqüentemente, o local enfrenta problemas com a reposição de água do aquário, a produção de peixes destinados à alimentação de alguns animais e com a captação de água para os bichos.
Segundo a direção do Zoológico, o problema teve início há dois anos, mas a situação ficou insustentável nos últimos meses. A lagoa, construída em 1977 junto com a infra-estrutura do local, passou pela primeira dragagem (retirada de terra, recurso usado para manter a profundidade) em 2005. Em contrapartida, apenas este ano o processo já foi realizado duas vezes e será feito pela terceira até o final de 2009.
“O processo tem sido feito com a ajuda do Dae (Departamento de Água e Esgoto). Na última vez, em maio, retiramos 160 caminhões basculantes com volume de terra. Essa terra é oriunda de erosões que estão ocorrendo dentro da área da Unesp”, revela Luiz Pires, diretor do Zoológico de Bauru.
A lagoa tem oito metros de largura, seis de profundidade e 60 de comprimento. De acordo com Pires, há dois anos, o problema era pontual – chovia, a água da lagoa escurecia um pouco e depois voltava ao normal. “Achávamos que era efeito da enxurrada da rodovia (que liga Bauru a Jaú). Mas, no final do ano passado tivemos uma chuva, em outubro, de dois dias, e a represa ficou mais de 10 dias suja. Foi aí que vimos que o volume de terra que estava vindo para o Zoológico não era só da estrada”, explica. “Subimos a nascente, o Córrego da Vargem Limpa, dentro da área da Unesp, e fomos surpreendidos com a erosão.
Na época, tinha em torno de dois metros de altura por um metro e meio de largura. Depois, com as chuvas de novembro e dezembro, as coisas foram se avolumando, tanto que este ano ainda não tivemos água limpa devido ao grande volume de terra que desemboca na lagoa”, acrescenta.
A direção do Zoológico atribui a responsabilidade do problema à Centrovias, empresa responsável pela administração da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, a SP – 225 que liga Bauru a Jaú. “O problema começou com a duplicação da via. A empresa subestimou a quantidade de água do local, o dissipador também foi subestimado. O volume de água gerado tanto pela duplicação da rodovia quanto a água que chega na estrada vinda da avenida Nações Unidas precisava ter sido calculado.
Neste período, as minas de água que desembocam na lagoa deviam produzir grande quantidade de água. Apesar disso, a direção do Zoológico afirma que o volume de água que chega a represa diminuiu 50%.
“Produzíamos peixe no local para a alimentação dos nossos animais, produção que foi prejudicada. Utilizávamos essa água para jogar nos tanques dos animais que necessitam de água renovável, também estamos tendo problema com este trabalho”, afirma o diretor. “O que nos preocupa ainda mais é que não estamos em uma época de muitas chuvas. Com a entrada de dezembro e janeiro, quando chove muito, não temos idéia do que vai acontecer com essa erosão. Podemos perder a represa se o assoreamento continuar no nível que está.”
O cisne negro foi um dos animais que foi prejudicado pelo problema. A cachoeira que tinha em seu recinto não funciona há quatro meses, pois a bomba não tem como captar a água da lagoa. Já os visitantes que passarem pelo aquário na semana da reposição de água vão ficar sem ver muitas espécies, pois a água está totalmente escura. Em dezembro de 2008 o problema foi levado ao Ministério Público por uma pessoa física. Em março deste ano, foi enviado um ofício ao Zoológico para saber se havia danos no local e a direção protocolou o caso com fotos. No dia 22 de outubro, a direção reenviou o ofício com novas fotos mostrando a rapidez que o problema ambiental está ocorrendo.