08 de julho de 2026
Polícia

Preso acusado de abusar de meninas

Por Luciana La Fortezza | Colaborou Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Aos 46 anos, Célio Monteiro foi preso ontem à tarde suspeito de ter abusado sexualmente de duas meninas. Uma delas, que neste mês fará 11 anos, contou aos pais ter sido estuprada há cerca de um mês. A outra, que completou 14 anos nesta semana, pode estar grávida dele. Teria sido mantida em cárcere privado na casa do acusado (situada na Vila Santa Filomena), onde foi encontrada. Monteiro foi detido no mesmo endereço – quadra 2 da rua Celina Vigue Loureiro. Levado ao plantão da Polícia Civil, foi preso em flagrante.

À reportagem, ele disse que a mais velha é sua atual companheira e que vai se casar com ela. A informação foi confirmada inicialmente pela garota, que se atrapalhou ao defendê-lo. Depois, relatou ao delegado Roberto Cabral de Medeiros que teria sido violentada e que era mantida presa na casa de Monteiro desde a semana passada, sofrendo ameaças. O acusado ainda negou ter molestado a mais nova, filha de amigos dele. Algemado na viatura da Polícia Militar, alegou à reportagem não entender a ocorrência na qual foi envolvido ontem.

Confirmou, no entanto, que já cumpriu pena por estupro. Informou, porém, que na ocasião foi vítima de uma ‘armação’ da ex-mulher. “Ela queria fugir com o meu cunhado (e inventou o caso)”, garante. Foi justamente a informação de que Monteiro tinha passagem por estupro que suscitou desconfiança na família da menina de 10 anos. Há pouco tempo, ela chegou em casa sangrando. A mãe imaginou tratar-se de menstruação.

“Fomos ao pronto-socorro e a médica falou que poderia ser menstruação mesmo, mas que deveríamos esperar o próximo mês para verificar”, explicou. Na ocasião, a garota se queixou de dores na perna, reclamação que intrigou o pai dela. “Perguntávamos se tinha acontecido algo, mas ela negava. Hoje (ontem) pela manhã, eu fui trabalhar e o pai ficou sozinho com ela. Conversaram mais. Daí ela contou”, relata a mãe. Como a família conhecia Monteiro há cerca de dois anos, deixava a garota, junto com outras crianças, na companhia dele. Em várias oportunidades, o acusado as levava para passear.

Sangue

No dia em que o estupro teria ocorrido, a menina e outras garotas (inclusive a filha dele) teriam indo com Monteiro até o Centro da cidade, pois ele receberia um benefício. A vítima contou, porém, que foi levada para um lugar com mato. No local, o acusado teria dito que se ela não mantivesse relacionamento íntimo com ele a deixaria lá. A menina retornou para casa sangrando. Depois disso, não quis mais sair com Monteiro na companhia de outras crianças.

Alguns dias depois, o acusado foi parado numa blitz na rodovia junto com o tio da menina, pois trabalham juntos com bicos na construção civil. Na ocasião, souberam que Monteiro tinha passagem por estupro. Com a descoberta, a família juntou os fatos e conseguiu a confissão da menina. “Ela chorou muito para contar. Meu marido procurou um amigo para se aconselhar sobre o que fazer. Por ele, o caso seria resolvido de outro jeito. Mas não deixei. Não podemos sujar nossas mãos com um cara desse”, comenta a mãe.

Ela o conheceu quando morava na Vila Santa Filomena com a mãe. Ele vendia CDs nas imediações. Depois de casar-se e mudar-se de endereço, Monteiro os procurava para vender seus produtos. Deste modo, tornaram-se amigos. Por conta do vínculo, foi o próprio marido dela quem levou os policiais militares da Base Comunitária de Segurança Oeste até o endereço do acusado.

Os pais da vítima mais nova, no entanto, não conheciam a garota de 14 anos encontrada no imóvel. O nome das meninas não foi divulgado para evitar constrangimentos a ambas e em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

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Acusado nega denúncias

Célio Monteiro nega que tenha abusado das garotas. “Fui pego de surpresa. Hoje pela manhã já estive na delegacia para ver um outro caso (as mercadorias que ele vende foram apreendidas). Se tivesse feito algo errado, não teria ido à delegacia”, comentou. Em várias ocasiões, disse à reportagem ter procurado a mãe da menina de 14 anos para comunicar que iria se casar com ela.

Quando questionado sobre o cárcere privado, disse que a garota sempre teve dois celulares. Se tivesse sido ameaçada ou coisa semelhante, teria procurado algum conhecido, a polícia ou a mãe. Com relação à mais nova, disse nunca ter faltado com respeito. “Sou amigo dos pais dela há muito tempo.”