11 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: A última aventura ao Mato Grosso do Sul


| Tempo de leitura: 3 min

Tenho 77 anos e eu quis fazer uma última viagem ao Mato Grosso do Sul, mais precisamente até Coxim, o rio Taguaí e conhecer a pousada Barranco Fundo, já que ouvi falar muito dela. Uma terça-feira saímos de Bauru com o Astra do amigo Dalton, com destino a Coxim, mas ao chegar em Três Lagoas o colega pegou o caminho errado no trevo e fomos parar em Brasilândia.

Lá ele pedia informações e disseram para ir em frente até o trevo de Bataguassú e, chegando lá, encontramos uma placa de sinalização que indicava Santa Rita do Pardo e depois Águas Claras, só que depois de Santa Rita acabou o asfalto. Já eram 2 horas da madrugada de quarta-feira e no lugarejo não se achava uma viva alma para nos informar.

Ficamos, então, à espera de aparecer alguém para pedir uma orientação, até que apareceu um caboclo que nos deu uma notícia nada agradável: ele disse que era melhor nós voltarmos, porque com o nosso carro não iria enfrentar um areal de 300 quilômetros até Água Claras. Já eram 3 horas da madrugada e tínhamos que voltar 360 quilômetros até chegar a Três Lagoas.

Quando eram 6 horas da manhã, não tínhamos andado nem um terço da viagem. Enfim chegamos a Coxim às 3 horas da tarde de quarta-feira, depois de 19 horas de viagem. Até acharmos a pousada levou mais 1 hora, que causou a maior decepção. Era uma pousada sem estrutura alguma, péssima em acomodações e mais ruim de peixes ainda.

Todos os poços eram rasos, tanto que dava para ver o fundo do rio, e ainda tinha dois ônibus de pescadores e todos os poços melhores estavam ocupados com varas de espera. Resultado: sobrou pouco para nós.

Só se ouvia reclamações dos pescadores que estavam por lá há dias, pouca coisa tinham pego, só peixes pequenos e que não davam medidas. Por isso diziam que era a última vez que por lá se aventuravam. Bem, já que estávamos por lá fomos pescar um pouco, mas nada de peixe e logo chegou a noite e assim foi o primeiro dia de pesca.

No dia seguinte, levantei bem cedo e fui pescar em um poço que restou para mim, e fiquei à espera de uma fisgada e nada. Já eram 9 horas da manhã de quinta-feira quando chegou o colega Dalton com uma boa notícia: ele conseguiu por telefone com um amigo que morava em Silviolândia um lugar para nós pescarmos e era bem cevado, só que nós tínhamos de ir e voltar para dormir no barraco fundo, que ficava 18 quilômetros. Naquele dia, poucos peixes pegamos.

No dia seguinte, voltamos para lá e foi uma pescaria boa, eu fisguei diversos piauçus e muitos pacus prata e piaparas e puripitangas, só que todos não davam medidas e assim foi a pescaria daquela sexta-feira. No sábado choveu a noite toda e o toró foi grande, começou a sujar a água e a pescaria ficou ruim, pouca coisa pegamos.

Voltamos no domingo e ficamos até a hora do almoço e a água estava bem suja e os peixes sumiram. Almoçamos na casa do amigo do Dalton e voltamos para a pousada para arrumar as traias para ir embora.

Às 5 horas da tarde de domingo saímos da pousada e rumamos até Bauru. Chegamos às 4 horas da madrugada de segunda-feira e assim foi nossa aventura ao Mato Grosso do Sul. Espero que seja a última, por que por lá não me arrisco mais a ir. Vou continuar a pescar por aqui mesmo.

Florindo Martins é pescador e contador de histórias