Caracas - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, negou anteonte que esteja convocando o país para uma guerra contra a Colômbia, num momento de crescente tensão entre os dois países por causa do recente acordo militar entre Bogotá e Washington.
No domingo passado, Chávez usou seu programa de rádio e TV para conclamar os militares a se prepararem para uma guerra e ajudarem o povo a fazer o mesmo. A Colômbia reagiu dizendo-se ameaçada e prometendo levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU e à Organização dos Estados Americanos.
“Agora estão me acusando, mas por todos os lados, de que estou chamando à guerra (...) O que chamei foi ao meu povo e aos meus soldados para que nos preparemos para defender este país da ameaça que significam sete bases militares (dos EUA) aqui mesmo na Colômbia”, disse Chávez anteontem, num ato público na qual acusou a Colômbia de cinismo.
“Todas essas acusações de ‘guerreirista’ que agora estão me fazendo nas últimas 48 horas, que Chávez chama à guerra, que Chávez está tocando os tambores da guerra, não (são verdade)”, acrescentou.
O presidente congelou em julho as relações diplomáticas com a Colômbia, por considerar o pacto militar Washington-Bogotá uma ameaça a seu país, quando determinou também a suspensão das multimilionárias importações de produtos colombianos.
O acordo EUA-Colômbia foi criticado por vários governos latino-americanos, e Chávez diz que as bases militares serão usadas pelos norte-americanos para espionar os países da região, para controlar recursos naturais e para atacar governos hostis a Washington.
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, recebeu bem a nova declaração de Chávez.
O Brasil propõe que Chávez e Uribe debatam em Manaus, no dia 26, quando acontece reunião dos presidentes da região amazônica preparatória para a Convenção do Clima em Copenhague, em dezembro.