10 de julho de 2026
Articulistas

Desapropriação da estação ferroviária

Alfredo Enéias Gonçalves d’Abril
| Tempo de leitura: 3 min

Dois acontecimentos de alta importância da vida desta cidade foram registrados neste ano. O primeiro deles está no início da construção da avenida Nações Unidas-Norte, obra destinada a permitir o fluxo de veículos até a Rodovia Bauru-Marília, e de quebra, reurbanizar parte da zona norte, esquecida por várias Administrações. Essa obra, que teve seu planejamento no início da década de 80, deveria ser concluída há muito tempo a julgar pela duplicidade de seu significado. Embora atrasado, o investimento terá a natural incumbência de desencadear inevitável impulso imobiliário em seu derredor valorizando toda a área por ele seccionado até mesmo antes de sua entrega pronta e acabada. O mesmo fenômeno aconteceu com o núcleo Residencial Geisel mercê da extensão da avenida até aquela bairro, há quase 30 anos, ressurgindo de longa sonolência por descaso da Administração. O outro fato prestes a eclodir será a desapropriação da estação ferroviária e sua reforma necessária à sediar a Prefeitura Municipal para receber em espaços suficientes à todas as Secretarias, submetendo-se à finalidade de aquisição do velho e vistoso prédio edificado e suas áreas físicas.

Sobre o aproveitamento da estação ferroviária como sede da Prefeitura, a idéia encampa atual tendência de concentrar num só prédio todas as unidades municipais em funcionamento, iniciada com a implantação pelo Estado da cidade judiciária, na cidade de Ribeirão Preto, obra tão sonhada pelas nossas autoridades desde a hora em que acordam até o momento de dormirem, nos Poupa-tempo, espalhados por muitas cidades paulistas, ambas realizações trazendo comodidade e rapidez no atendimento do público diretamente interessado naqueles serviços. Além disso, a reformulação da Praça Machado de Mello afim de adequá-la ao prédio da Prefeitura, afastará a sobrevida do comércio das quadras 1 e 2 da Rua Batista de Carvalho, notadamente da primeira, devolvendo a esperança dos lojistas daquele setor movimentarem maior número de consumidores, o mesmo ou até maior daquele predominante antes do Calçadão ser implantado, o qual, longe de desmerecer sua importância, parece ter sido o marco coincidente do declínio do prestígio comercial daquela área.

Os bravos e abnegados comerciantes que ali se mantiveram decepcionados com a arrebatada redução do movimento comercial, por meio de um programa de rádio diário, tentaram com entusiasmo atrair os consumidores para os seus negócios, deixando subentender pelas constantes chamadas e anúncios radiofônicos, que o comércio do início da rua Batista de Carvalho possuía os mesmos atrativos dos estabelecimentos das quadras subsequentes. A impressão que se tinha das lojas daquele setor frente ao dominante fracasso da afluência de fregueses era que a rua Batista de Carvalho estava dividida e classificada em duas classes, e a segunda delas incluía os estabelecimentos das quadras 1 e 2. Não se sabe se a publicidade veiculada surtiu o efeito esperado, o certo é que o desmazelo com a Praça Machado de Mello e a intencional falência da estrada de ferro como meio de transporte de passageiros, decretaram o esvaziamento e abandono daquela região. Os consumidores diminuíram sensivelmente e o setor tornou-se foco de pessoas desamparadas da sociedade, com boa parte entregue ao ócio e ao vício. A quadra 1 da R. Batista até a pouco tempo ofereceu uma triste noção do desinteresse dos comerciantes pelo setor em face do número de prédios comerciais fechados. No momento a aparência comercial é mais animadora, mas nada promissora. O aspecto diurno daquela área é melancólico e a noite trás a solidão em cumplicidade com o perigo.

O autor, Alfredo Enéias Gonçalves d’Abril, é professor universitário aposentado