10 de julho de 2026
Articulistas

As amarras da economia brasileira

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Os números atuais do desempenho econômico são animadores. Os últimos trimestres deste ano “salvarão” o ano, permitindo eliminar parte da recessão vivida pelo país no início de ano. Se tudo correr bem cresceremos 1% de janeiro a dezembro, mas como números atuais projetando excelente desempenho. Em 2010 modelos macroeconômicos apontam para crescimento entre 4% e 5%. Para que seja o chamado vôo da galinha, temos que eliminar algumas amarras.

Uma delas refere-se ao investimento. Este ano os investimentos totais ficarão no máximo em 15,5% do PIB, insuficientes para sustentar o crescimento econômico a longo prazo. As projeções para o ano que vem apontam para no máximo 19% do PIB. Estudos apontam que investimentos nesta magnitude não são capazes de equilibrar oferta com a demanda, gerando desequilíbrios que serão corrigidos com políticas de curto prazo, como a monetária.

A outra amarra é o baixo crédito doméstico. O volume total está na casa dos 35% do PIB, enquanto a média mundial é de 119% do PIB. Sem crédito e barato, fica difícil projetar um crescimento consistente e duradouro. É certo que os intermediários financeiros necessitam de maiores garantias inclusive com justiça mais ágil para emprestar recursos, mas é certo também que a postura é extremamente conservadora.

Além destas duas amarras temos o câmbio. Por enquanto o conjunto de ações governamentais não trouxe os resultados esperados e com isso as empresas que atuam no comércio exterior vêem o volume exportado reduzir, com forte incremento das importações.

Isso tudo sem falar na infraestrutura como um todo e o risco de apagões (será que o recente apagão já foi um indício?), à medida que não temos política adequada para sustentar de vez o crescimento econômico.

Não taxo minha avaliação como pessimista, prefiro que seja entendida como indicativos para que efetivamente o país aproveite os bons ventos que estão sobrando para nossa economia. Crescer e depois recuar é uma situação pior do que crescer pouco de maneira consistente.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista e colunista do JC