Brasília - O governo brasileiro planeja propor à Colômbia e à Venezuela a criação de uma comissão de vigilância fronteiriça como um primeiro passo para aliviar as tensões entre os dois países, disse ontem o assessor especial da Presidência brasileira para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.
Segundo ele, a comissão seria semelhante à que já existe entre Colômbia e Equador, que permite a troca de informações oficiais sobre o que acontece na fronteira.
“Se for necessária a ajuda do Brasil para vigiar a fronteira, nós estamos dispostos a ajudar”, disse Garcia em uma entrevista coletiva com correspondentes estrangeiros no Rio de Janeiro.
Chávez há meses diz que seu país está ameaçado pelo novo acordo militar entre Colômbia e EUA, que permite a presença de soldados norte-americanos em sete bases do país vizinho. Bogotá e Washington alegam que o objetivo do acordo é apenas combater o narcotráfico e guerrilhas de esquerda dentro da Colômbia.
As relações entre Colômbia e Venezuela estão congeladas há meses por decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Nas últimas semanas a situação piorou devido a diversos incidentes fronteiriços, a ponto de Chávez ter pedido no último domingo que as Forças Armadas e o povo da Venezuela para se “prepararem para a guerra”. Dois dias depois, ele disse que a imprensa havia “manipulado” suas “reflexões”.
Segundo Garcia, a comissão de acompanhamento proposta seria formada após consulta ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe e a Chávez, o que poderia acontecer durante a cúpula de países amazônicos que o Brasil convocou para o dia 26 deste mês em Manaus, para definir uma posição comum para a Conferência do Clima de Copenhague.
“Se houver possibilidade de consulta aos dois presidentes, se fará esta proposta”, disse Garcia, que, no entanto, salientou que a data da reunião em Manaus está em dúvida devido a problemas de agenda de alguns líderes convidados.
Colômbia se queixa na ONU
A Colômbia levou anteontem ao Conselho de Segurança da ONU uma queixa contra supostas ameaças de guerra feitas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que orientou seu Exército a se preparar para um conflito armado.