09 de julho de 2026
Internacional

Justiça pede pena de morte para mentores do 11 de Setembro

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Nova York - O procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, anunciou na tarde de ontem em entrevista a jornalistas que a Justiça federal buscará a pena máxima, condenação à morte, para os cinco acusados de planejar os ataques de 11 de setembro de 2001.

“Nós realizaremos vigorosamente o processo e buscaremos a pena máxima possível. A Justiça federal permite a pena de morte, então nós revisaremos as evidências e esperamos que permita aos promotores pedirem a pena de morte para os conspiradores do 11 de Setembro”, disse Holder. “Eu espero a condenação por pena de morte e isso mostra o quão sério considero este caso”.

Os cinco acusados, incluindo Khalid Sheikh Mohammed, tido como mentor dos ataques, serão transferidos da prisão militar americana em Guantánamo para julgamento em cortes criminais civis de Nova York e Virgínia.

Segundo Holder, eles devem ser julgados juntos por planejar e realizar os ataques de 11 de Setembro. Os cinco acusados, contudo, não devem ser transferidos imediatamente já que a lei americana determina que o Congresso americano seja avisado de tal medida com 45 dias de antecedência.

Eles estavam sendo processados em uma comissão militar americana em Guantánamo, prisão criada pelo governo Bush em 2002 para abrigar os suspeitos de terrorismo. A maioria dos detentos passam anos em Guantánamo sem acusação formal ou julgamento, graças a um “buraco negro” legal criado pelos EUA que exclui os prisioneiros das leis da Convenção de Genebra (já que não são prisioneiros de guerra comuns) e da lei americana (já que a prisão fica fora dos EUA).

Contudo, com o anúncio de Obama do fechamento da prisão militar, os casos foram reavaliados e alguns serão transferidos a cortes nos EUA para julgamento.

Segundo Holder, a decisão foi tomada após uma longa avaliação de cada caso individualmente e com o aconselhamento do secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, e do Pentágono.

“Com oito anos de atraso, eles enfrentarão a Justiça”, disse Holder, que defendeu a escolha de Nova York, a cidade que foi cenário do mais violento dos ataques de 11 de Setembro, no qual morreram cerca de 3.000 pessoas. “Eles serão trazidos para Nova York, para enfrentar a corte a quadras de onde um dos ataques ocorreu”.

“Confio no sistema para um julgamento justo, como fazem há 200 anos. Haverá um júri imparcial e seguirá os procedimentos padrões”, continuou. “Embora a ameaça não possa ser subestimada, os policiais e agentes são experientes e treinados e podem fazer jus ao desafio”.

Holder, que classificou a decisão como um passo importante rumo ao fechamento de Guantánamo, afirmou ainda que os esforços para que os suspeitos de terrorismo enfrentem julgamentos em cortes criminais ou nas comissões militares são tão importantes quanto a batalha militar contra o terrorismo.