Como diziam nossos avós, “a ocasião faz o ladrão”. Com base nessa máxima do ditado popular, o capitão Renato Ramos, comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar, ressalta a importância da prevenção para evitar dores de cabeça e prejuízo com os ladrões.
Na opinião dele, os proprietários não devem se preocupar apenas com a beleza do imóvel, mas também com a segurança que ele oferece. “Nós chamamos isso de segurança primária, que é tudo o que eu faço para contribuir com a preservação do meu patrimônio”, diz. E isso passa, necessariamente, pela elaboração de uma planta que leva em consideração a proteção dos moradores contra ataques criminosos.
Segundo o coronel Roberson Luiz Bondaruk, sub-chefe do Estado Maior da Polícia Militar do Paraná, autor do livro “A Prevenção do Crime Através do Desenho Urbano”, detalhes nas características arquitetônicas, urbanísticas e paisagísticas da cidade, influenciam diretamente nos níveis de criminalidade no espaço considerado.
Para chegar a essa conclusão, ele analisou as 100 residências que registraram o maior número de furtos e roubos em 2005, em Curitiba (PR). Pelas entrevistas com os moradores e estudo da estrutura do local, o coronel constatou que muitos dos ataques foram em função de oportunidades oferecidas pela vítima (portão aberto, ferramentas deixadas no quintal e bens ao relento) e também facilidades que a estrutura arquitetônica da casa oferecia (falta de grades ou muro, falta de iluminação externa e detalhes na construção que facilitavam o acesso dos bandidos).
Por esse motivo, ele diz que arquitetos, engenheiros, urbanistas, comerciantes e a comunidade em geral podem contribuir de forma efetiva para a resolução de muitos problemas que tornam a segurança pública um problema tão sério no País.
Segundo ele, cada um no seu campo de atividade, com suas idéias, criatividade e espírito de colaboração podem se constituir num importante apoio para os órgãos de segurança, sobrecarregados com a crescente demanda de delitos.
Bondaruk lembra que o povo brasileiro é mundialmente famoso pela sua criatividade e pelo “jeitinho” de fazer as coisas de forma diferenciada. “Por que não usar este ‘jeitinho’ para ajudar nas soluções dos pequenos delitos e criar ambientes urbanos mais seguros, através de idéias criativas, inteligentes e principalmente baratas?”, sugere ele.
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• Dupla função – Os muros altos e portões que fecham toda a frente da casa dificultam a cobiça dos bandidos, mas se eles entrarem poderão agir com tranqüilidade, sem serem vistos por quem passa pela rua.
• Bonito, mas... - Arbustos ao lado do portão da casa dão uma bela imagem paisagística, mas podem esconder o perigo. Moradores correm o risco de serem surpreendidos enquanto entram ou saem da residência.
• Fique atento – A cerca elétrica ajuda a inibir a ação dos assaltantes, mas é preciso ficar atento. Árvores altas, cujos galhos passam por cima do muro podem servir de escada e facilitar o acesso de estranhos ao imóvel.
• Nada apropriado – O portão recuado pode até ajudar em dias de chuva ou para um namoro mais escondidinho, mas é também um esconderijo perfeito para pessoas mal intencionadas. A vítima é facilmente surpreendida.
• Espinhos no caminho – A tarefa dos ladrões sempre fica mais complicada quando existem barreiras naturais pelo caminho. Um canteiro com plantas repletas de espinhos, com certeza, não é um dos obstáculos mais fáceis de superar.
• Cuidado com a visão – Uma tecnologia cada vez mais presente nas residências, a câmera de monitoramento tem um papel importante para a segurança, mas o campo de visão do aparelho não pode ser prejudicado por plantas e outras barreiras.
• O melhor amigo – Casas que têm cães de guarda são consideradas as mais seguras. O índice de assalto a essas residências é baixo por causa da presença do animal. Mas tem de ser cão de guarda, não de companhia.
• Floresta urbana – Terreno baldio com mato alto sempre será um vizinho indesejável. Além de favorecer o aparecimento de animais peçonhentos, pode servir de abrigo para delinqüentes. Por isso, exija do proprietário que limpe o local.
• Como nos presídios – A concertina é considerada um equipamento de segurança eficiente. Feita de aço inox, com lâminas afiadíssimas, ela é uma boa opção para dificultar a passagem de um lado para outro do muro.