10 de julho de 2026
Geral

Italiana ‘trouxe’ 12 mil bebês à luz

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 1 min

É a marca, devidamente catalogada, da parteira Giustina Venchiarutti (1892-1978), que, por suas mãos, trouxe a luz quase que o equivalente à população de Piratininga. Nascida na província de Udine, Itália, veio ao Brasil após se casar com o brasileiro Armando Dias Bortone, que foi à Europa lutar na primeira guerra mundial.

Formada em Medicina na Itália, foi impedida de exercer o ofício em Bauru – onde o marido veio trabalhar como escriturário na antiga ferrovia Noroeste do Brasil (NOB) – por não se adaptar à língua portuguesa e, consequentemente, não conseguir legalizar o diploma no País.

Assim, com a qualificação legal de enfermeira obstetra, trouxe ao mundo diferentes gerações de famílias tradicionais, entre nomes como Coube, Bastos, Martha, Sacomandi, Guedes, Delicato, entre outras centenas de bebês, independentemente às classes sociais.

Meticulosa, de acordo com familiares, além de habilidosa, tinha olho clínico. “Durante parto, ao lado de médico, ela disse, espera doutor, que vem outro. Sabia quando eram gêmeos só de olhar”, testemunha a psicóloga Maria Luiza Corrêa Domingues, neta de Giustina.

“Ela era muito destemida e sempre atendia, era rico ou pobre”, recorda a professora de música aposentada Thereza Bortone Corrêa, que, aos 90 anos, lembra como se fosse hoje dos tempos em que era uma espécie de “secretária” de Giustina, que fez partos até o final da vida, amparando, inclusive, o nascimento de dois bisnetos.