‘Meu carro é vermelho, não uso o espelho pra me pentear’... Quando o assunto é vaidade e veículo, a música “O bom”, do cantor e compositor Carlos Imperial, não consegue traduzir o cenário atual. Isso porque, atualmente, são as motos que estão em alta e seus ‘espelhos’ são essenciais, especialmente para as novatas que invadiram este segmento: as mulheres.
Em busca de praticidade, economia e agilidade, cada dia mais mulheres optam pela motocicleta como meio de transporte. De acordo com Denival Mauro Inforzato, delegado de polícia e diretor da 5º Circuncisão Regional de Trânsito (Ciretran), em outubro de 2008, as mulheres representavam 21,25% do total de habilitados na categoria A.
Mas, no cotidiano das auto-escolas, o número se mostra superior. “De uns dois anos para cá, aumentou bastante o número de mulheres que procuram a auto-escola para tirar carta de moto. Hoje, elas representam cerca de 40% dos alunos deste segmento”, informa Daniela Santos, assistente comercial de uma auto-escola da cidade.
Graciane Martins Ferreira, proprietária de uma auto-escola que funciona há 38 anos, também notou o aumento. “De 80% a 90% das pessoas que tiram a primeira habilitação optam por carta de carro e moto. O perfil está bastante diversificado e as mulheres são as responsáveis por esta mudança. Antes elas representavam somente 10% dos alunos, hoje está quase igual ao número de homens”, afirma.
O ingresso das mulheres no mundo das motocicletas tem justificativas: a economia e a agilidade. Estes dois fatores foram determinantes na escolha de Glaucia Helena Lopes Soares, 20 anos. “Logo que tirei carta comprei minha moto. Acho melhor que carro porque é supereconômica, é prática, cabe em qualquer lugar, e sempre consigo chegar mais rápido nos lugares”, enumera.
Ela conta que, no início, foi complicado se adequar, mas o gosto pelo veículo prevaleceu. “Nunca sofri nenhum acidente pilotando. No começo, cai algumas vezes sozinha, parada. Mas depois me acostumei e não cai mais”, conta Glaucia, rindo.
O pai de Naiara Regina Quintas, 22 anos tem a mesma opinião que Soares. Ele deu uma moto à filha quando ela completou 20 anos. “Moro em cidade diferente dos meus pais, e precisava de um transporte prático e econômico. Como meu pai se propôs a me dar uma moto, não tive escolha e aceitei”, conta Quintas, que diz não se adaptar ao veículo. “Não gosto. Tenho muito medo. Além de despentear o cabelo e não poder usar saia no calor, é ruim quando chove. Ando porque preciso”, afirma.
Já Fernanda Abido, 24 anos, encara o transporte como diversão. Ela resolveu comprar uma motocicleta há dois anos. “Andar de moto é muito divertido, além de ser prático”, explica.
Hitomi Miyamoto, 19 anos, pensa da mesma forma que Abido. Ela está fazendo aulas para tirar a primeira habilitação, e pretende incluir a moto em sua permissão para dirigir. “Mesmo tendo medo, sempre gostei de moto. Pretendo comprar uma assim que eu conseguir minha carteira de motorista. Os benefícios são muitos se comparados aos pontos negativos”, explica.