Canoas - Uma técnica em enfermagem foi presa ontem sob suspeita de injetar doses de sedativos em 11 bebês recém-nascidos da maternidade do Hospital Universitário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas (região metropolitana de Porto Alegre), sem autorização médica. Os bebês foram levados à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da instituição e, de acordo com a Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul, não correm risco de morte.
Vanessa Pedroso, 25 anos, foi presa em flagrante com uma pochete em que carregava seringas que, segundo a Polícia Civil do Estado, eram utilizadas para aplicar doses de benzodiazepínicos na boca dos recém-nascidos. A reportagem não conseguiu localizar o advogado da funcionária ontem.
Na manhã de ontem, a Secretaria Estadual da Saúde informou que a suspeita confessou o crime. A funcionária está detida em uma penitenciária feminina de Porto Alegre.
Segundo informações do governo do Estado, que participou das investigações por meio do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, as razões que levaram a suspeita a cometer o crime ainda são desconhecidas. O secretário da Saúde, Osmar Terra, disse que se trata de uma “piscopata”.
As investigações, conduzidas pelo delegado Guilherme Pacífico da Silva, começaram há pelo menos duas semanas, quando a direção do hospital notou haver coincidência nos sintomas das crianças e acionou os órgãos públicos de fiscalização.
Com os calmantes, as crianças ficavam frágeis, desmaiavam e poderiam sofrer parada respiratória. Só foram salvas, segundo o hospital, porque foram levadas para a UTI.
A Polícia Civil do Estado diz ter identificado a técnica em enfermagem ao analisar as escalas de trabalho no hospital.
Segundo o delegado, foi encontrada uma seringa com restos do medicamento na bolsa de Vanessa. “Acho que ela apresentava transtornos mentais”, disse. A técnica foi indiciada por homicídio qualificado por envenenamento e será levada a um presídio feminino em Porto Alegre. O Conselho Regional de Medicina e a polícia acompanham o caso.