10 de julho de 2026
Nacional

Curto-circuito causou apagão que mergulhou Brasil no escuro

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O Ministério de Minas e Energia afirmou ontem, em nota, que um curto-circuito foi o motivo do blecaute que deixou 18 Estados sem energia na última terça-feira. De acordo com o ministério, o curto-circuito derrubou três linhas de alta tensão e foi o responsável pelo desligamento da usina de Itaipu. Com a perda da usina binacional, segundo a nota, outras usinas foram desligadas por questões de segurança.

O ministério voltou a ressaltar que, no momento do blecaute, a região de Itaberá (SP) registrava chuva intensa, ventos fortes e descargas atmosféricas. O ministério também reafirmou que os consumidores que tiveram aparelhos queimados pela queda de energia têm até 90 dias para cobrar o ressarcimento das suas concessionárias.

Segundo informações do ministério, um grupo de trabalho do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico vai buscar medidas que “aumentem o grau de segurança e confiabilidade do sistema interligado de fornecimento de energia elétrica”.

Está prevista para hoje a divulgação do relatório do Operador Nacional do Sistema (ONS) sobre as análises feitas nos aparelhos que medem o fluxo de energia nas linhas e que fizeram um retrato do que houve no momento do blecaute.

O ministério de Minas e Energia, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o ONS têm até ontem para entregar ao Ministério Público Federal toda a documentação solicitada sobre o blecaute. Os órgãos têm até o dia 26 para indicar os responsáveis pelo local da falha inicial.

Entre o material solicitado, estão as comunicações entre os agentes do setor (distribuidores, transmissores e geradores), as atas de reuniões, as notas técnicas, os laudos preliminares produzidos desde o início do blecaute até o prazo fixado e qualquer outro documento recebido ou conhecido relacionado ao blecaute.

O procurador da República em Goiás Marcelo Ribeiro de Oliveira é o responsável pelo caso. Oliveira afirmou que espera concluir a primeira etapa da apuração em 15 dias - prazo que pode ser prorrogado. Ele espera receber uma documentação completa sobre as causas do apagão para que sejam cobrados os direitos dos consumidores e a garantia dos serviços.

A Comissão de Infra-estrutura do Senado aprovou ontem um requerimento de convite para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, falarem ao colegiado sobre as causas do apagão. Além disso, a comissão aprovou convite para cerca de 20 pessoas, entre técnicos da Aneel, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do ONS, para que também possam ajudar a explicar as causas do blecaute.

A autoria do requerimento é do presidente da comissão, senador Fernando Collor (PTB-AL). Os requerimentos foram aprovados por acordo entre a base aliada e estavam presentes na hora da votação, além de Collor, apenas os senadores Valdir Raupp (PMDB-RO), Gilberto Goellner (DEM-MT) e Delcídio Amaral (PT-MS).

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Hackers invadiram site

São Paulo - O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirmou na tarde de ontem a invasão da rede corporativa do órgão na última quinta-feira, dois dias após o blecaute que atingiu 18 Estados. De acordo com o órgão, o pirata virtual “demonstrou que poderia entrar no sistema”, mas o ONS detectou o problema rapidamente e nada foi danificado.

O ONS negou, entretanto, que o site operacional do órgão - que controla os serviços de transmissão de energia elétrica - tenha sido invadido, já que este sistema é controlado apenas por comandos de voz. Ainda segundo o órgão, o fato não tem nenhuma relação com o apagão da semana passada.

Reportagem da “Folha de S.Paulo” de ontem revela a vulnerabilidade do site do ONS à invasão de hackers. As falhas, entretanto, foram corrigidas na última sexta-feira. De acordo com a reportagem, setores do site permitiam identificar programas internos usados pelo órgão para armazenar dados.

À “Folha de S.Paulo”, o ONS e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), entre outros órgãos governamentais, haviam negado a possibilidade de ataques por meio da internet aos sistemas de empresas de energia.

A vulnerabilidade no sistema do ONS, no entanto, ficou disponível a quem tivesse interesse de provocar problemas nos computadores do órgão.