08 de julho de 2026
Geral

Senai/Bauru é recordista de medalhas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Em um feito inédito, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru conquistou 16 medalhas em uma única edição da Olimpíada do Conhecimento, em âmbito estadual. A premiação recorde, segundo o diretor da unidade Alexandre Capelli, foi fruto de muita dedicação dos alunos e empenho de toda a equipe do Senai que trabalhou durante meses para preparar os competidores.

“Nunca, em nenhuma edição da olimpíada em nível estadual, uma escola ganhou tantas medalhas de uma só vez. Geralmente, um bom resultado para uma escola é voltar da competição com seis ou sete medalhas, ao todo”, frisa o diretor.

A competição, considerada como de alto grau de dificuldade, começou no último dia 8 e terminou na quinta-feira passada, reunindo aproximadamente 780 estudantes no Centro de Exposições do Anhembi, na Capital. Bauru mandou 25 representantes para 19 das 45 modalidades em disputa e voltou para casa com 16 medalhas, sendo oito de ouro, cinco de prata e três de bronze.

Capelli destaca que a unidade local venceu escolas de referência como o Senai Ipiranga, em São Paulo, na área de mecânica de automóveis. “Em muitos casos, ficamos em primeiro lugar com uma larga vantagem sobre o segundo. Foram vitórias inquestionáveis e não vejo como esse resultado poderia ter sido melhor”, comenta.

Para obter um bom desempenho no torneio, os jovens chegam a passar até 12 horas diárias treinando. Um dos medalhistas que trouxe ouro para casa, Gélson Vitor dos Santos, 18 anos, vivia em Boracéia e precisou se mudar para uma cidade mais próxima de Bauru para dar conta dos estudos.

“Eu saía de casa às 5h da madrugada e chegava à meia-noite. Era bem cansativo, então fui morar na casa de um amigo, em Agudos, para dar tempo de descansar”, comenta ele que, em sua primeira participação no torneio, conquistou a primeira colocação na modalidade de tornearia mecânica. O amigo que deu abrigo a Gélson, o também aluno do Senai Rodrigo da Silva Panifer, 19 anos, foi medalhista de ouro em polimecânica nesta edição da olimpíada.

“É preciso dedicação exclusiva a este projeto. Fiquei um ano e meio treinando das 8h às 22h, todos os dias da semana e, nos sábados, até as 17h. Nas últimas semanas, vinha ao Senai até aos domingos”, relembra Rodrigo. Durante a prova, ele teve de montar uma estação elétrica controlada por sistemas automáticos e constituída por peças de torno e fresa. “Foi uma prova difícil, mas não fiquei nervoso porque estava bem preparado”, garante ele.

Tabu

Quebrando tabus em uma área habitualmente liderada por competidores do sexo masculino, a aluna Kamila Gomes Olmo, 18 anos, foi a campeã em aplicação de revestimento cerâmico. No campeonato, ela desenvolveu um painel que fundia as bandeiras do Brasil e do Reino Unido. “Parece algo simples, mas são os detalhes que fazem a diferença. São critérios como medida, prumo, aparência, simetria e alinhamento dos recortes”, conta ela, orgulhosa por ter vencido a escola de Tatuapé, na Capital, que possui tradição em aplicação de revestimento cerâmico.

Bastante perfeccionista, Matheus Barbosa Felício, 20 anos, conta que foi uma “satisfação indescritível” conseguir o ouro em metrologia dimensional. Assim como Kamila, ele derrotou uma escola de referência nacional em sua área, o Senai de Santo Amaro. “Foi uma prova extremamente técnica e bastante minuciosa, que exigiu muita concentração. Depois de avaliar a conformidade das peças que nos são dadas no momento da prova, temos que elaborar um certificado de medição baseado em normas”, detalha.

Ele, que pretende ingressar em um curso superior de engenharia de produção daqui a um ano, planeja, um dia, se tornar professor do Senai. “Mas o plano mais imediato é conseguir uma vaga na fase nacional da olimpíada, que acontece em março do ano que vem, no Rio de Janeiro”, acrescenta.

Luiz Claudio Garcia Siqueira, 20 anos, ouro em suporte a redes PC, revela que, durante os 10 meses de treinamento, contou com a ajuda de um ex-aluno que conseguiu, em anos passados, alcançar a fase internacional do torneio. “É algo que acontece com freqüência dentro do Senai: os alunos que disputam a olimpíada e se tornam professores acabam sendo grandes incentivadores dos novos competidores. A pressão na hora da prova é muito grande, mas com esse apoio, me senti preparado para realizar a prova”, pondera.

Além do suporte de ex-competidores, o diretor do Senai em Bauru comenta que o resultado tão significativo para a unidade foi obtido através de um conjunto de fatores que inclui a dedicação dos alunos, a união de empresários e professores e o incentivo dos pais durante toda a trajetória de vida dos estudantes. “A medalha foi conquistada lá no berço. Agora, eles apenas recebem o reconhecimento pela educação que receberam”, conclui.