09 de julho de 2026
Regional

Rondon já cobra novos pedágios

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Uma viagem de carro entre Bauru a Botucatu custa mais caro para o bolso do motorista desde zero hora de hoje com a entrada em operação das novas praças de pedágio na rodovia Marechal Rondon (SP-300). Antes da privatização da rodovia só havia a praça de Areiopólis ao custo de R$ 7 para quem vinha no sentido capital-interior na região de Botucatu, mas a partir de hoje começou a cobrança em Agudos, Areiópolis e Botucatu nos dois sentidos.

A viagem entre Bauru e Botucatu em carro de passeio custa R$ 21,20 de ida e volta. Se for de motocicleta entre as duas cidades a viagem vai custar R$ 10,40 nos dois sentidos.

Até para percurso curto, como é o de Botucatu a São Manuel a viagem de carro de ida e volta vai custar R$ 6,60 e se for de moto R$ 3,20 – só a ida R$ 1,60.

A praça de Areiópolis permanece na nova concessão com cobrança nos dois sentidos ao custo de R$ 3,70, mas a novidade é a reativação da praça de Agudos e uma nova em Botucatu.

Para quem for de Bauru a Anhembi vai desembolsar de ida R$ 15,40 nos quatro pedágios, mas se computar a volta são R$ 30,80.

Para se ter uma idéia do custo para quem precisa viajar a trabalho ou a estudo, como é comum entre São Manuel e Botucatu, o usuário terá de desembolsar R$ 148,00 durante 20 dias úteis dentro do mês se for de carro próprio.

Quem viajar durante 20 dias entre Bauru e Botucatu vai ter uma despesa só de pedágio de R$ 424,00 (aqui está computada a tarifa de carro de passeio, porque a de veículo comercial é cobrada por eixo).

Luta contra

A movimentação diária é de cerca de três mil pessoas entre São Manuel e Botucatu, calcula o prefeito de São Manuel, Tharcilio Baroni Jr. (PSB), que garante que lutou muito pela não implantação do pedágio entre as duas cidades. “O máximo que conseguimos foi a redução da tarifa, que de ida e volta poderia chegar em algo próximo de R$ 18,60 e hoje será de R$ 6,60”.

Ele ressalta que, nesses três mil usuários que vão de uma cidade para outra, há estudantes, trabalhadores de grandes empresas, autônomos e usuários do atendimento médico que vão até a Unesp/Botucatu. “Fatalmente o valor do pedágio vai influenciar no equilíbrio econômico dos moradores. Lutamos bastante, porém só conseguimos reduzir e não eliminar a cobrança. Esperamos que eles devolvam isso em obras. Prometeram conservar as estradas municipais, seria uma forma de pelo menos devolver uma parte dos valores.”

Quem faz o trajeto de ida e volta diariamente entre as duas cidades, com veículo próprio, terá desembolsado R$ 148,00 no final de 20 dias, despesa que significa aproximadamente 30% do salário mínimo paulista. O vereador de São Manuel Pedro Norival Cicarelli (PMDB) não se conforma e garante que os demais vereadores compactuam da sua opinião. “Adotamos várias frentes políticas para impedir a instalação da nova praça, mas politicamente o problema não foi resolvido. Nossa empreitada não surtiu efeito desejado. Confiamos na sensibilidade do governador que não foi sensível aos pedidos nossos.”

Mas ainda resta uma esperança, frisa Cicarelli. “Atibaia conseguiu uma liminar na Justiça, o caso é um pouco diferente. Lá, o pedágio ficava praticamente dentro da cidade. Nós também somos especiais porque ficamos isolados, temos diversos pedágios. Estamos encaminhando para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e para o Ministério Público para saber se eles podem tomar alguma providência, uma vez que politicamente não conseguimos nada.”

Na opinião dele, o caminho judicial é uma das poucas alternativas que resta. “Nenhum vereador concorda. Eles também não enxergam benefícios. A rodovia estava pronta e em boas condições, não havia motivo para instalação desse pedágio.”

Ao todo ao longo da concessão são nove praças de pedágios na SP-300, SP-101 e SP-308 pertencentes ao chamado corredor Leste da Rondon. Nos próximos dias a Artesp deve autorizar também novos pedágios no setor Oeste da SP-300 concedido a Via Rondon.

A Artesp infornou que o pedágio é o principal recurso para ampliar e modernizar a malha concedida no Estado de São Paulo.