Washington - A ONG Transparência Internacional divulgou ontem seu relatório anual de percepção de corrupção no mundo. O ranking reúne 180 países, classificados em um índice de 0 a 10, calculado a partir de pesquisas de 13 organizações.
A ONG chamou a atenção para os efeitos da crise financeira internacional, dos pacotes bilionários de ajuda dos governos para reativar as economias e dos conflitos armados sobre as práticas ilegais com recursos públicos.
“Em uma época em que enormes pacotes de estímulo, rápidos desembolsos de fundos públicos e tentativas de garantir a paz estão sendo implementados em todo o mundo, é essencial identificar onde a corrupção bloqueia a boa governança e prestação de contas, para que se quebre seu ciclo corrosivo”, disse Huguette Labelle, presidente da Transparência Internacional.
A nota mais alta no ranking deste ano foi conferida à Nova Zelândia (9,4) e a mais baixa à Somália (1,1). Nas Américas, o Canadá foi o melhor colocado, seguido pelos EUA, enquanto o Haiti manteve-se na última colocação.
O Brasil foi classificado em 75º lugar, com índice 3,7, ligeiramente mais alto que os 3,5 anteriores. No ano passado, o ministro Jorge Hage (Controladoria Geral da União) criticou o relatório, dizendo que merecia tanta credibilidade quanto os índices de risco dos bancos de investimento que haviam falido pouco antes em meio à crise financeira. Ele também questionou o fato de que o índice concentrar os níveis federal, estadual e municipal.
A Transparência Internacional explica que o índice não é uma medição real da corrupção em cada país, mas da forma como os governos são vistos por analistas e por homens de negócios.
As pesquisas que servem de base ao relatório foram feitas por instituições como o Banco Mundial, o Fórum Econômico Mundial, os Bancos de Desenvolvimento da África e da Ásia e por centros de pesquisa privados como o Economist Inteligence Unit e Global Insight.
A ONG orienta que não se comparem os números e as posições no ranking de ano a ano como indicadores de evolução no combate à corrupção, pelo caráter de percepção que está na base do relatório, e porque os índices refletem pesquisas feitas em um intervalo de até dois anos.
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Mais corruptos
Washington - Na base da lista deste ano, permanecem Estados frágeis e instáveis marcadas pela guerra e pelo conflito interno: à Somália, seguem-se o Afeganistão, com índice 1,3, Mianmar, com 1,4 e Sudão e Iraque empatados com 1,5. Esses resultados demonstram, segundo o relatório, que os países que são percebidos como os mais corruptos são também os afetados por conflitos, que abalam infraestruturas de governabilidade.
A responsabilidade dos países industrializados, de acordo com a ONG, está em suas fronteiras e na atuação de suas empresas multinacionais, citadas no relatório como muitas vezes envolvidas em práticas indevidas no exterior.
A colaboração internacional contra a corrupção também é destacada no relatório, que elogia medidas de restrição a paraísos ficais empreendidas neste ano pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Como orientação geral, a ONG defende fortalecimento institucional do Estado e abertura para a fiscalização pela sociedade.