11 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: Dos tempos áures de pesca no Aquidauana


| Tempo de leitura: 2 min

Eu, Marcelo e meu cunhado Rogério (foto), fizemos uma pescaria ao MS no rio Aquidauana. Uma hora e trinta minutos de estrada de chão partindo de Terenos. Rancho Paranaense, na região da Ponte do Grego. Saímos no dia 29 de setembro, terça-feira. Chegando lá, o frio era tanto que tivemos que dormir de blusa e coberta. A água do rio completamente gelada. Comentei: “Pelo jeito, mais uma vez venho aqui e não vou pegar nada...”.

Mas, como pescaria é trabalho, sempre usei uma frase: “O peixe está no rio, então, se quer peixe, vá pescar, vá para o rio...”. E assim, mesmo com água gelada, sem peixe pequeno sequer beliscando, ficamos de manhã, tarde e noite no rio quase todos os dias.

O domingo foi o dia. Ao invés de irmos longe, decidimos ficar perto do rancho pescando, a uns 500 metros. Um lugar calmo, debaixo de umas árvores que escondiam a lua cheia, o rio estava com profundidade de 1 metro. Ali ficamos por umas 5 horas, batendo papo e escutando o “barulho da natureza”, como dizia um amigo pescador do local, o senhor Wanderley, que deu esse apelido à latinha de cerveja ao abrir.

Meia hora antes de irmos para o rancho, a vara do meu molinete deu uma envergada, pensei que fosse um tronco que tivesse enroscado e puxado a linha, pois havia chovido e estava descendo bastante sujeira. Então segurei o molinete e fui recolher a linha para não pegar enrosco. Mas, já estava enroscada. Puxei mais uma vez, a linha chegou a cantar e nada. Então coloquei o molinete no suporte da vara e ia descer o bote para tentar soltar a linha quando, de repente, a fricção cantou.

A vara do molinete abaixou a ponta dentro da água. Ali vimos que o bicho era grande. Com muita paciência, fizemos o peixão cansar até boiar e depois de uma hora e dez minutos, jogamos o bicho para o bote. Ficamos exaltados. Não acreditávamos com o que víamos.

Os pescadores da região que foram ver o peixe diziam que pintado deste tamanho fazia décadas que não viam e nem ouviam falar que alguém pescou. O pintado tinha 33 quilos, 1,65m, profundidade do rio de 1 metro e a isca era mussum (pirambóia) de 40 cm e a linha 080.

Gostaria de dedicar este texto a alguns amigos que sempre me motivaram a pescar: Airton, Nilton e Kojak, todos de Campo Grande e deste rancho. E em Bauru dedico o texto a um grande amigo pescador e grande cozinheiro, o Ilmo, conhecido como Bilima. Ao pescador e amigo Valdemir. E ao patrão, que me cedeu estas férias, Rafael Nagasawa.

Marcelo Machado é pescador e contador de histórias. E-mail marcelo.machado. bauru@hotmail.com.