11 de julho de 2026
Geral

Apesar da controvérsia, especialista recomenda mamografia aos 40 anos

Por Lígia Ligabue | Com Redação
| Tempo de leitura: 2 min

A recomendação do exame anual de mamografia para mulheres a partir dos 40 anos foi colocada em cheque nesta semana. Um estudo da Força Tarefa de Serviço Preventivo dos EUA (USPSTF - na sigla em inglês) questionou essa necessidade. A informação levantou um debate em todo o País. Para o mastologista Willian Davila Delgallo, presidente da Associação Amigas do Peito de Bauru, o exame ainda é a melhor forma de detectar o câncer de mama em mulheres, inclusive as mais jovens.

A discussão começou quando a USPSTF divulgou resultados de pesquisa envolvendo mais de 600 mil pacientes, que fizeram mamografias de rotina entre 2000 e 2005. A conclusão foi que existe uma “evidência moderada de que o benefício real é pequeno para mulheres com idade entre 40 e 49 anos”, informou a agência France Presse. De acordo com o estudo, a mamografia para câncer de mama no grupo de 40 a 49 anos pode resultar em diagnósticos equivocados e cirurgias desnecessárias, ou ainda, pode falhar na detecção de câncer.

Assim que este resultado foi divulgado, a Sociedade Americana para o Câncer (ACS) divulgou nota afirmando que continua recomendando a realização de uma mamografia anual para as mulheres com menos de 50 anos para detectar a doença. No comunicado, a entidade destacou que 17% das mortes devido ao câncer de mama nos Estados Unidos ocorrem em mulheres diagnosticadas entre os 40 e 50 anos.

No Brasil, o caso também gerou polêmica. Em nota oficial, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) refutou a recomendação da USPSTF. Na página da entidade na Internet (www.s bmastologia.com.br), o posicionamento da instituição é pela manutenção da mamografia anual a partir dos 40 anos. De acordo com a SBM, no Brasil há uma alta incidência de tumores em estágio avançado por causa do diagnóstico tardio. Já a posição do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é outra. O órgão continua não recomendando o rastreamento antes dos 50 anos.

Delgallo, presidente do grupo que auxilia mulheres na prevenção e em caso de confirmação da doença, explica que a mama de uma mulher de 40 anos tem em sua formação mais glândulas do que gordura. Além disso, ela é mais densa que a mama de uma mulher de mais de 50 anos, quando a proporção se inverte. “Por ser mais densa, na mamografia de uma mulher com menos de 40 anos fica difícil detectar algum nódulo”, explica. Já numa mulher mais velha, Delgallo explica que a mamografia detecta esses nódulos com mais precisão.

Porém, ele destaca que alguns tumores são formados por calcificações, que só são detectadas em exames de mamografia. “Por isso mesmo que para mulheres mais jovens são recomendáveis as ultra-sonografias e mamografias”, explica o mastologista. Ele também destaca que aumentou a incidência de tumores de mama em pacientes jovens, por isso, reforça a importância da prevenção. “Com a mamografia ganha-se terreno para a evolução do tratamento”, destaca.