09 de julho de 2026
Internacional

Guantánamo não poderá ser fechada no prazo

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Seul - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, admitiu pela primeira vez ontem que o país não conseguirá fechar a prisão para suspeitos de terrorismo de Guantánamo, em Cuba, no prazo estabelecido por seu governo -22 de janeiro de 2010.

A prisão militar de Guantánamo foi criada de improviso para receber os suspeitos presos durante a “guerra ao terror” do governo de George W. Bush.

A maioria dos detentos passam anos em Guantánamo sem acusação formal ou julgamento, graças a um “buraco negro” legal criado pelos EUA que exclui os prisioneiros das leis da Convenção de Genebra (já que não são prisioneiros de guerra comuns) e da lei americana (já que a prisão fica fora dos EUA).

Obama ordenou o fechamento da prisão dois dias após sua posse, em janeiro deste ano, mas, desde então, enfrentou desafios legais, administrativos, políticos e diplomáticos.

O principal deles é o que fazer com os prisioneiros que ainda estão na prisão, já que muitos não podem voltar para seus países de origem, há poucos países interessados em recebê-los como asilados e os americanos resistem em colocar os condenados em prisões comuns dentro de seu território.

Em outro golpe à medida, o conselheiro legal da Casa Branca, Gregory Craig, responsável pelo processo de fechamento da prisão, renunciou no último dia 13 após ficar decepcionado com o processo político.

Em entrevista à Fox News, Obama adotou ontem um tom mais cauteloso e disse preferir não estabelecer prazos para o fechamento, apesar de esperar que ocorra ainda em 2010. Obama disse ainda que um novo prazo depende da cooperação do Congresso.

O democrata disse ainda não estar desapontado com o fracasso em cumprir o prazo, já que percebeu que as coisas se movem mais devagar do que ele esperava em Washington.

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Entraves para o fechamento

Número detentos é 215

Julgamentos - Presos que violaram leis americanas serão processados em cortes federais, e acusados de crimes de guerra, em cortes militares

- Críticos relutam em admitir julgamentos em solo americano, embora os primeiros já estejam em curso.

Libertações - Cerca de 50 detentos não têm elos comprovados com atos de terrorismo e já poderiam ser soltos

- Há temor quanto a eventuais reincidências em ações terroristas de presos libertados precipitadamente.

Transferências - Presos que correm risco de perseguição em seus países de origem serão transferidos a terceiros países.

- Embora haja candidatos a recebê-los e sinal verde da UE para seus membros, países europeus temem o livre trânsito no bloco de ex-detentos.

Detenções - Suspeitos considerados perigosos, mas sem provas para condenação, permanecerão detidos por tempo indeterminado e sem acusações formais.

- É o principal desafio do governo Obama, uma vez que a saída encontrada pressupõe detenção em solo americano, o que enfrenta fortes resistências.