O líder da bancada do Partido Progressista (PP) no Legislativo, Roberval Sakai, afirmou ontem que vai cobrar participação efetiva no governo de Rodrigo Agostinho (PMDB). Caso contrário, diz que a bancada poderá romper com a administração municipal e tornar-se independente. O vereador tentou ontem, inclusive com interlocução junto a integrantes do governo, sentar com Agostinho para discutir o espaço na reforma que o próprio prefeito diz que ocorrerá no próximo mês. Mas a tentativa foi em vão, o que amplia a braveza dos pepistas em relação a governo.
O vereador disse que aguarda uma conversa com o prefeito para decidir o futuro dele e de Carlinhos do PS no G9. Isso poderia acontecer hoje. A questão central é que o PP forma quase um terço da bancada de nove que dá sustentação ao prefeito, mas considera que tem “migalhas” (cargos de segundo e terceiro escalão) na composição do grupo que governa. Rodrigo, por sua vez, não quer falar sobre o assunto.
Sakai, de sua parte, dá o recado sem cerimônia. “Não que nós rompemos. Estamos à disposição para sentar e conversar. Queremos mais participação no governo. Os outros partidos têm, por que nós não podemos ter?”, questiona Sakai. O PP não têm cargos no primeiro escalão na administração municipal, mas nunca escondeu de ninguém que quer ocupar uma pasta.
E são vários os elementos que reforçam a tese do PP. O PSB tem secretaria e um vereador na bancada, o PC do B tem vaga no primeiro escalão e nenhum voto no G9 e o PR tem secretaria e autarquia e apenas um voto no grupo pró-Rodrigo. A recente nomeação do presidente do diretório municipal do PTB, Ricardo Oliveira, para comandar a Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear), teria sido a gota d’água.
Mas Rodrigo disse ontem, com certa irritação, que não iria comentar o assunto. “Estou cheio de serviço na prefeitura. Em relação ao PP, eu não vou comentar”, resumiu. Para Sakai, o partido vem apoiando o governo desde o início do ano. “Mas hoje já estamos com alguns meses de mandato e dá para se conhecer quem são os secretários. A gente sabe quem está desempenhando e quem não está. Além disso, estamos tendo algumas dificuldades, e acho que chegou a hora do prefeito analisar isso, e cabe também a nós que estamos apoiando ao governo, apoiando a administração, sugestões. E nós estamos descontentes com alguns secretários”, diz.
Avaliação
Mas o líder pepista evitou citar nomes. “Eu não gostaria de revelar os nomes para não criar um certo clima. Mas acho que o prefeito tem que analisar as pessoas que estão ao lado dele. Tem secretário que não tem tempo para atuar e outros que não tem a menor condição de trabalho”, indicou.
Na opinião dele, o PP não rompeu com o governo. “Não sou situação, não sou oposição, vamos ter uma independência. Nós queremos o melhor para a cidade. Acho que tem se mexer. Não dá para continuar da forma que está”, insinua.
Segundo Sakai, a legenda não tinha reivindicado uma secretaria até a fase anterior. “Agora, se está tendo uma mudança no governo, alguns partidos estão agregando no governo, por quê o PP não pode ter essa participação? Não podemos estar apoiando o governo e estarmos tendo algumas dificuldades dentro do governo. Quando eu digo dificuldades, me desculpe, mas as vezes você liga para o secretário e não consegue falar com ele. Chegou a hora da gente tentar resolver esse problema. O governo tem me atendido, não posso reclamar. Mas não é só isso que nós queremos. Queremos estar junto ao governo”, explicou.
Além do PP, o Partido Democrático Trabalhista (PDT), representado na Câmara pelo vereador Fabiano Mariano, também não foi contemplado com secretarias na atual administração. Entretanto, o parlamentar é mais comedido que Sakai e se limita a afirmar que se for oferecida, não pensará duas vezes em aceitar. Mariano quer participação no governo, mas por enquanto, alega que não pensa em secretaria.
A hegemonia do G9 (grupo de situação) na Câmara Municipal de Bauru ficaria em risco se o PP se rebelar. Se os dois parlamentares do PP tornarem-se independentes, formarão o G2. Com isso, haverá dois G7s no Legislativo: um de oposição e outro de situação.