09 de julho de 2026
Ser

Terceira Idade ressuscita o amor

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Amar e ser amado faz bem em qualquer idade. Mas esse sentimento ganha mais consistência e importância quando ocorre no momento em que as pessoas quase não têm mais a esperança de dividir esse amor com outros, que não sejam os filhos e os netos. Aos poucos, integrantes da Terceira Idade estão redescobrindo o amor, voltaram a se apaixonar, a sentir o coração batendo mais forte por causa de uma pessoa do sexo oposto - um sentimento que estava mais que adormecido, quase morto e sepultado e foi resgatado.

Não à toa, essa faixa da população está vivendo mais e melhor. O amor faz com que os apaixonados dêem mais valor à vida. É uma injeção de ânimo para querer estar sempre bonita ou bonito, e isso implica na beleza estética. As mulheres passam a ficar mais tempo em frente do espelho e os homens voltam a colocar em prática seu poder de sedução.

Para aproveitar cada minuto dessa “nova vida”, eles retomam ou iniciam a prática periódica de atividades físicas e de lazer, programam viagens, preocupam-se com uma alimentação saudável, enfim, voltam a ter uma auto-estima elevada, algo primordial nessa fase da vida.

De acordo com a psicóloga Gislaine Aude Fantini, coordenadora da Universidade Aberta a Terceira Idade (Uati), o amor ajuda a combater a depressão, um mal tão comum nessa faixa da população.

“Eu achava que o mundo tinha acabado quando fiquei sozinho”, confessa o artista plástico e escultor Guilhermo Jaque Molina, 67 anos. Quando seu caminho cruzou com o da professora universitária aposentada Elieth Floret Spirandelli, 58 anos, o quadro da vida dele ganhou tons mais alegres. “Foi uma benção de Deus”, comemora. “Estou vivendo uma etapa muito bonita da minha vida”, diz.

A satisfação é recíproca. “Estou achando tudo isso fantástico”, declara a professora. “Depois de 30 anos (que foi quando ela se casou pela primeira vez), voltar a sentir novamente aquele arrebatamento, a sensação de recomeço, a fase do namoro, é uma coisa mágica”, define.

Ambos são separados e têm filhas moças. Eles namoraram durante seis meses. Foi tempo suficiente para descobrirem que o casamento era inevitável.

Foi a mesma conclusão a que chegaram o alemão Stefan Piesker, 71 anos, e a brasileira Maria Inêz Gazarini Conde Piesker, 58 anos. Eles se conheceram na Uati e passaram a fazer ginástica e dança de salão juntos. Não demorou muito, “pintou o clima” entre eles. E quem acha que isso é coisa de adolescente, está totalmente fora de seu tempo, do nosso tempo. Tem quem afirme que o amor é como um vírus, que não escolhe quem vai “atacar”.

“A idéia de ficarmos juntos foi algo que começou sem a gente perceber. Quando nos demos conta, já estávamos envolvidos”, relata Maria Inêz. O fato de Stefan ser um homem de poucas palavras, afinal de contas ainda não tem muita intimidade com a língua portuguesa, não impediu o encanto da bauruense. Segundo ela, os gestos dele falaram mais alto. “Ele é bem educado, gentil. Tem atitudes que me cativaram”, aponta.

Além das qualidades apontadas, Maria Inêz conta que outros aspectos também pesaram na conclusão de que Stefan era o homem da sua vida. “Percebi que havia uma série de coincidências nas coisas que nós gostamos de fazer, como, por exemplo, ir ao teatro, cinema, gostar de dançar, de fazer caminhadas. Isso tudo ajudou”, diz.

Depois de três anos de namoro, eles se casaram há quatro meses. Se para Stefan a experiência de um casamento não era nova, para Maria Inêz está sendo. Em 55 anos de vida, ela ainda não havia encontrado ninguém atraente o suficiente para chegar nesse ponto. Teve de esperar mais do que a média das mulheres, mas agora se diz realizada e garante que valeu a pena esperar. “Para eu ter a coragem de dar esse passo nessa altura da vida é porque estava certa que ele era a pessoa que estava faltando”, frisa.