Quando se fala da família Godoy em Bauru, é difícil encontrar alguém que não associe, imediatamente, com boa música. Afinal de contas, são nada menos do que quatro gerações ligadas por sangue e acordes: paixão que passou de pai para filho, sucessivamente. Grandes expoentes dessa família e referência da música instrumental no Brasil, os irmãos Godoy - Adylson, Amilton e Amilson - estão de passagem por Bauru, terra onde viram o amor pelo piano nascer e de onde carregam boas lembranças de infância, com direito a “peladas” com o Rei do futebol, Pelé.
Claro que um encontro, raro como esse, não poderia passar despercebido. Juntos, os músicos e irmãos falaram ao JC sobre a carreira, paixão pela música e inúmeras histórias da família. “Estou emocionado. Não é sempre que temos essa oportunidade de estarmos os três, falando sobre nosso trabalho e nossa vida. Abrindo o coração mesmo”, revela Adylson. A única coisa que a reportagem ficará devendo é a verdadeira idade do músico - o mais velho dos irmãos -, direito que ele não concede nem ao seu médico (garante). “Você não imagina como eu luto contra a velhice”, brinca cheio de elegância, vaidade e bom humor, de óculos e cabelos escuros.
Grande compositor, Adylson foi diretor musical dos programas “Fino da Bossa”, “Corte Royal Show” e “Programa Hebe Camargo”. Fez arranjos do disco “Dois na Bossa Volume Dois”, de Elis Regina e Jair Rodrigues, que trouxe ainda duas de suas composições “Tristeza Que Se Foi” e “Santuário do Morro”. Para o ano que vem, em comemoração aos seus 45 anos de carreira, pretende lançar sua obra completa, que totaliza mais de 200 músicas, já gravadas por nomes como Elizete Cardoso, Rosa Maria, Agnaldo Raiol e Clara Nunes, entre muitos outros.
Amilton é o pianista do Zimbo Trio, primeiro grupo instrumental criado no Brasil. Ao lado de Rubinho Barsotti (bateria) e Itamar Colaço (baixo), o músico está há mais de 45 anos na estrada, tem 49 discos lançados (“Zimbo Ao Vivo” foi vencedor do Prêmio Tim 2008) e coleciona passagens por mais de 40 países. Como pianista, Amilson foi vencedor de vários concursos e atuou como solista frente às diversas orquestras sinfônicas do Brasil. Coordenador da Escola de Música da Fundação das Artes de São Caetano do Sul, introduziu a música popular no ensino acadêmico, onde criou um modelo de aprendizado que é seguido pela maioria das escolas de música nos dias de hoje. Atualmente, é maestro do Grupo Sinfônico Arte Viva.
Hoje, Dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos, não apenas esse trio de peso está reunido em Bauru, mas também grande parte dessa “família musical”. Adylson, Amilton, Amilson, sobrinhos, irmãos e velhos amigos de Victória Godoy - criadora do Coral da Igreja Nossa Senhora Aparecida e mãe do trio - vão se encontrar para homenagear a regente pelos seus 95 anos, claro, dedicados à música. Se você acordou neste domingo cedinho e está lendo seu jornal pela manhã, ainda dá tempo de apreciar essa reunião, que será realizada na igreja, a partir das 10h (leia mais na página 13). Do contrário, relaxe. Aproveite o encontro desse trio que acontece aqui, nestas páginas. Confira a seguir os principais trechos de quase duas horas de uma harmoniosa ‘prosa’.
Jornal da Cidade - Quando vocês começaram a estudar música?
Amilton - Eu e o Adilson começamos antes, tínhamos 9 e 10 anos, quando o piano chegou em casa. Começamos estudar com a Nida Marchione, depois com Efíseo Aneda. O Tuca (Amilson) começou com 4, 5 anos de idade, com a Ilza Araujo Antunes. Ele veio depois, começou mais novo e já chegou bem aprimorado. Foi uma edição melhorada dos irmãos Godoy (risos). Estudamos com esses professores em Bauru até o momento em que começamos a estudar em São Paulo na Escola Magda Tagliaferro, que foi uma grande pianista brasileira e essa escola dela era muito famosa.
JC - Sendo filhos de pais músicos, como era o ambiente em casa?
Amilton - Imagine um lar em Bauru que não tinha televisão e o rádio era o único veículo de comunicação. Um lugar onde a música era feita pelas próprias pessoas era uma coisa muito diferenciada. Nossa casa era um ambiente musical muito legal, um centro catalisador. Lá era o lugar onde as pessoas que gostavam de música iam para tocar ou para ouvir. Meu pai tocava, minha mãe, nossos tios. Era uma família muito unida pela música, a música tem esse poder de aproximar as pessoas e era isso que acontecia.
Adylson - Meu pai gostava convidar músicos para nos ouvir lá em casa. E grandes músicos passarão nesse tempo por lá. E nós herdamos, talvez da mamãe, o ouvido absoluto, aquele que você, só de ouvir, diz a nota que é. Eles nos testavam em casa. O Tuca não sabia nem falar direito e já respondia também.
JC - Parece que, desde crianças, vocês levavam a música a sério, de verdade. Era assim mesmo?
Amilton - Nós gostávamos muito e nossos pais exigiam uma disciplina de estudo. Com a orientação e o estímulo que existia dentro de casa não foi difícil a gente começar a se sobressair. Com 13 anos, o Adilson e eu tocávamos coisas a quatro mãos e começamos a aparecer no cenário bauruense. Meu primeiro trabalho foi nessa época, em um restaurante chamado Lalai. Uma vez por semana eu ia lá tocar de calça curta (risos). Comecei muito cedo.
Adylson - Logo que o piano chegou em casa eu tomei a primeira bronca do meu pai porque eu queria mexer no pedal. Meu pai advertiu: ‘o que é isso filho, você pensa que isso é acelerador de automóvel? Tem que estudar para mexer aí’. Então essa consciência de música bem feita, bem trabalhada, tivemos desde cedo. Nossa alfabetização musical foi muito rápida. O Amilton nasceu para ser o pianista que ele é hoje. Eu já era meio desligadão, adiantava o relógio para estudar menos. O que aconteceu nessa história é que fomos desenvolvendo uma forma diferente de tocar.
JC - E como começaram a tocar profissionalmente?
Adylson - Meu pai foi uma pessoa que trabalhava demais. Das 11h às 17h, na Noroeste, depois das 19h às 22h no Liceu, depois entrava 22h30 na boate para tocar e saía às 3 da manhã. Um dia perguntei: ‘por que o senhor trabalha tanto?’. Ele: ‘para ter dinheiro para pagar o estudo de piano de vocês’. Com vontade de mudar aquilo, nós começamos a tocar para que ele pudesse parar de tocar à noite. Então, pedimos que ele arrumasse músicos para gente e o grêmio bauruense estava precisando de um conjunto efetivo para tocar quinta e domingo nas brincadeiras dançantes. Como dois pianos não davam, me arrumaram um acordeom. Nós fizemos nossa estréia no grêmio e tivemos que fazer uma vaquinha para comprar uma calça comprida para o Amilton (risos). O grupo chamava Conjunto de Ritmos Bantu. Ele foi evoluindo, fomos aprendendo a tocar de tudo e depois formamos o Universitário do Ritmo e por aí foi.
JC - E para você Amilson, como era ver os irmãos tocando?
Amilson - Sempre fui muito entusiasmado musicalmente pelo trabalho que meus irmãos faziam. Isso, lógico, me influenciou. Eu nessa época, com 10 anos, já atuava no Coral da Igreja Nossa Senhora da Aparecida. Tocava em festas, casamentos e também me profissionalizei muito cedo. Essas foram atividades que me marcaram muito como início de carreira.
JC - Quais as lembranças que vocês guardam da infância em Bauru?
Amilton - Morávamos perto da Vila Cardia e tínhamos um belo terreno no fundo da nossa casa que virou um campinho de futebol. Tínhamos um time porque éramos o dono da bola e da camisa, era assim que funcionava na época. Me lembro da primeira vez que vi o Pelé jogando contra o nosso time. Nós, Portuguesa, perdemos para o time dele, Canto do Rio, por 7 a 3.
Adylson - Estávamos ganhando o jogo e o Pelé, que já jogava com a camisa 10, não chegava. Quando ele chegou, não tivemos mais chance e ele virou, acabou com o jogo. Chegou, nesse dia, até a jogar no gol e também não deixou passar mais nada no gol. Uns anos atrás encontrei com Pelé e, conversando com ele, quando falei a escalação todinha do time ele ficou maluco. Mas como eu ia esquecer daquela molecada? Esse foi o momento de infância mais importante.
JC - Outras brincadeiras além do futebol?
Amilton - O que fazíamos muito aqui também era jogar peão. Tínhamos um time e isso acabou até, depois que ficamos mais conhecidos, sendo motivo de reportagem, passamos no “Fantástico”. Era uma brincadeira muito comum na região, e hoje é difícil achar quem saiba brincar. Era uma coisa gostava de fazer.
JC - Como foi a ida de vocês para São Paulo?
Amilton - Eu fui o primeiro a ir. Depois fomos todos, porque estava claro que nós precisamos ir para um ambiente maior para termos mais chances. Bauru era uma cidade que tinha suas limitações e São Paulo era a que podia nos oferecer mais espaço para desenvolver. Durante dois anos, eu ia de Bauru para São Paulo de trem, tomando aula lá e morando aqui. Depois, consegui convencer meus pais que eu tinha que ir embora para lá. Fui, a dona da pensão tinha um piano que ficava parado e eu ficava 11 horas por dia estudando. E as chances foram aparecendo, comecei a participar de concursos. Depois, acabamos indo aos poucos, todos.
JC - Vocês desempenham diferentes atividades dentro da música. Vocês decidiram escolher caminhos diferentes ou foi algo natural?
Amilson - Até por ser o mais novo, sempre tive meus irmãos como exemplo do caminho musical a seguir. Coincidentemente nos aperfeiçoamos no mesmo instrumento que é o piano, mas atuar em um mesmo espaço até seria conflitante, imagina um grupo com três pianistas? Então não houve nenhum pensamento, vou fazer isso ou aquilo. Naturalmente as coisas foram surgindo na nossa vida. Quando eu vi já era um profissional, depois tocava em um grupo, depois estava trabalhando com artistas de grande expressão e o mesmo acabou acontecendo com eles.
JC - O que você destacaria da sua carreira?
Amilson - O Bossa Jazz Trio foi o primeiro grupo que eu tive, que montamos em 1965. Na mesma época, o Amilton já estava no Zimbo Trio, que entusiasmou uma geração toda que veio pelo caminho. Vinte anos depois integrei o Medusa. Depois segui como maestro e criei a Orquestra Sinfônica Arte Viva, que já existe há 15 anos.
JC - E você Amilton, como começou o Zimbo Trio?
Amilton - Eu já vinha trabalhando com bons músicos e, em 1964, fui convidado pelo Rubinho para formar o Zimbo Trio. Nossa primeira apresentação foi em 17 de março em uma boate em São Paulo chamada Oasis. E demos muita sorte, conseguimos ir para as paradas, que era uma coisa que não imaginávamos: a música instrumental brasileira poder ficar em primeiro lugar em parada de sucesso. Depois nos unimos com Elis Regina e Jair Rodrigues, fizemos a base do “Fino da Bossa”, programa de TV que mais revelou gente. Durante sua existência, o Fino ditou as normas, as diretrizes da música popular brasileira. E com o Zimbo estou até hoje.
JC - A composição sempre foi sua preferência, Adylson?
Adylson - Eu sempre fui mais para o lado da composição. Comecei já em Bauru fazendo alguma coisa muito influenciado por Agostinho dos Santos e outros cantores da época e minha música foi, mais ou menos, tomando esse rumo. Para Elis (Regina) fiz vários arranjos. Também no “Fino da Bossa” e outros programas da Record eu preparava os arranjos para os artistas novos. Teve muita gente que bateu lá em casa para ter sua primeira oportunidade como o Milton Nascimento. Ano que vem eu comemoro 45 anos de profissão e vou lançar 15 CDs, são 220 músicas, e dois DVDs para celebrar a data. Foram, no total, 44 intérpretes.
JC - Vocês desenvolvem projetos juntos?
Amilton - Estamos fazendo alguns espetáculos juntos. Na próxima quarta vamos nos apresentar na inauguração de um shopping em São Paulo. Amilson vai estar com o grupo sinfônico de cordas, o Zimbo Trio vai estar lá também e o Adylson vai com a camerata dele, chamada Erudison.
JC - Têm oportunidade de fazer isso com freqüência?
Amilson - Fizemos há um tempo o espetáculo “Três Irmãos, Três Histórias” que nos reuniu e foi um momento que possibilitou essa integração. A vontade é de promover esses encontros todos os dias, mas a produção é muito cara. Não é uma coisa que dá para fazer sempre, porque são muitos músicos envolvidos.
JC - E como são esses momentos?
Todos - É sempre uma festa, uma farra. O difícil é tocar em um piano só (risos).
JC - E como está a expectativa para amanhã (hoje)?
Amilton - O mais bacana de amanhã (hoje) é poder reunir os antigos coralistas que cantavam no coral da nossa mãe. Alguns estavam fora de Bauru, mas vieram, se locomoveram para os ensaios. O esforço deles todos, a recuperação de partituras. Está sendo a realização de uma grande paixão da família. Além de ser em uma data como essa, Dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos.
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‘Falta espaço para música instrumental’
Mesmo dono de carreiras consolidadas e de sucesso, que somam mais de quatro décadas, os irmãos Godoy garantem que fazer música instrumental não é tarefa fácil, principalmente no Brasil. “Não queremos dar a impressão de termos uma frustração, porque não somos músicos frustrados. Mas ainda falta muito espaço para mostrar esse trabalho, principalmente para quem está começando”, afirma Amilton.
Ele alerta ainda para o cuidado que o consumo de música demanda. “Um conjunto de coisas faz com que o ser humano se torne melhor e uma delas é a música”, garante. Confira a seguir mais trechos da entrevista.
Jornal da Cidade - Ainda é difícil fazer música instrumental no Brasil?
Amilton - Nós tivemos um período espetacular quando o Zimbo apareceu, depois houve um retrocesso muito grande com os atos institucionais que interferiram no processo criativo; aquilo foi um atraso que o Brasil paga um preço muito grande até hoje. A música instrumental consegue hoje ter um espaço, mas que poderia ser muito melhor. Existe um processo de renovação muito interessante. Só que o brasileiro não tem condições de ter conhecimento disso, porque os grandes veículos de comunicação não dão espaço; na televisão você não vê um músico aparecendo com destaque tocando na TV. O rádio, que sempre foi o grande divulgador da música brasileira, só traz cantor, cantor.
JC - O trabalho do músico não é ainda valorizado como devia?
Amilton - Sim, mas essas coisas podem ser melhoradas. Existe muita gente de talento com pouca oportunidade de mostrar o trabalho. É preciso ainda que as pessoas entendam que o músico é importante para o trabalho de qualquer cantor, os arranjos tem que ser elaborados com qualidade e eles evoluem a medida que os músicos têm condições de se apresentarem cada vez melhor. Isso precisaria ser muito mais prestigiado. Não ficamos falando isso a toda hora por aí porque o Zimbo ou nós três como músicos não podemos passar a impressão que temos uma frustração. Nós não somos músicos frustrados, mas falamos isso no sentido de alertar para que novos músicos tenham mais facilidade em mostrar seu trabalho.
Eu me tornei um músico porque me foram mostrados muitos caminhos bonitos dentro da música. Eu tive chance de ouvir grandes orquestras americanas, ouvi musica erudita de altíssima qualidade, música popular de muita categoria e isso faz com que você se encontre dentro de uma caminho. O que temos que fazer é ter cuidado com o que ouvimos, porque droga entra também pelos ouvidos. Que tipo de música estamos ouvindo, dando para os nossos filhos? Um conjunto de coisas faz com que o ser humano se torne melhor e uma delas é a música.
JC - Como vocês avaliam o campo musical atualmente?
Amilton - Eu confio no processo de renovação, acho que ele continua existindo. Temos que ficar atentos para poder prestigiar aqueles que estão batalhando para ter seu espaço também. Chico Buarque, Gil, Caetano, Ivan Lins, Toquinho, Djavan, todos esses caras, que começaram aparecer em 1960, são muito fortes musicalmente e muito melhores que os filhos deles (risos). Está se criando uma nova geração, mas para mim, ainda não superaram nomes como o deles.
JC - Qual seria o principal desafio da música instrumental hoje?
Amilson - Formação de platéia. Nós trabalhamos muito na formação de músicos, de criar metodologias, apontar caminhos. Isso está bem feito. Hoje, temos excelentes professores, escolas. Agora é preciso criar um público para consumir a mão-de-obra magnífica que o Brasil está criando hoje.
JC - Por falar em formação profissional, vocês foram responsáveis por introduzir métodos que mudaram o ensino da música no Brasil. Como foi?
Amilson - Em 1973, o Zimbo fundou o Clam (Centro Livre de Aprendizagem Musical). Foi a primeira escola de musica popular fundada no Brasil. Éramos muito procurados para dar aulas particulares, então resolvemos fundar uma escola e hoje são 36 anos de existência e mais de 30 mil alunos já passaram por lá. Continua atuante até hoje em São Paulo e ela estimulou a criação de muitas outras. Eu dou aula lá até hoje.
Amilson - A vontade partiu da dificuldade que tivemos em aprender uma outra linguagem musical, naquele momento você não tinha fonte de consulta, nada à disposição. Para aprender alguma coisa, éramos obrigados a ouvir disco, ir para o piano e chegar às conclusões. Quando começamos o trabalho de dar aulas, começamos a pensar em montar escolas diferenciadas que pudessem recuperar e não gastar muito tempo para o aluno chegar até a informação, que ele aprendesse o que ele precisava realmente aprender para tocar. Então eu implantei essa filosofia na Fundação das Artes de São Caetano do Sul e o Amilton no Clam, que acabou se tornando referência de ensino. Tivemos o privilégio de ser pioneiros nesse encaminhamento, na década de 1970. Novas referências de ensino que acabaram revolucionando a música no Brasil na sua totalidade.
JC - Qual o segredo para uma carreira sólida como a de vocês?
Amilton - A paixão é o essencial. Quando você ama o que você faz, você aceita os revezes. Você luta, acredita, vai em frente. Você tem que colocar na cabeça o que quer, gostar muito e acreditar que você pode conseguir. E fazer todo o esforço necessário para poder chegar ao seu objetivo. Não tem mágica. E a música te dá o retorno. Se você se dedica de corpo e alma, tenho certeza que ela vai te responder.
Adylson - Realizar uma coisa significativa requer muita dedicação. E com a música, antes de começar, primeiro você tem que se apaixonar por ela. Sendo assim, ela começa a se revelar para você.
JC - Em algum momento vocês pensaram em fazer outra coisa?
Amilton - Nossos pais nos disseram que nos ajudariam em tudo que quiséssemos, mas teríamos de estudar. Porque na época músico era sinônimo de irresponsável, boêmio. Assim, eu me formei em filosofia e o Adylson em direito, para termos opções caso a música não desse certo. Mas o que queríamos era a música.
Adylson - Todos nós desenvolvemos um projeto pessoal para que a profissão de músico nos pudesse dar felicidade, recursos econômicos, mas sempre pensamos na classe que nos cercava. O pensamento do Amilton, por exemplo, sempre foi direcionado ao fazer música para fazer músicos. Então, quando olhamos para nossa vida, vemos que deixamos um rastro de coisas seríssimas que realizamos. E a geração está continuando, minha filha Adriana canta, o filho do Amilson é maestro, tem o Tico, filho do Amilton, músico também, toca na banda Quasímodo. E vamos nessa.
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Coral Nossa Senhora Aparecida
Antigos e novos membros do coral da Igreja Nossa Senhora Aparecida, criado há mais de 50 anos por Victória Godoy, estarão reunidos hoje, em comemoração ao Dia de Santa Cecília, padroeira da música e em homenagem aos 95 anos da regente. O encontro será às 10h, durante missa na igreja (praça Washington Luís, 4-51).
Destaque para o Coral Tom Maior, regido por Claudia Chimbo, sobrinha de Victória. Durante a missa, a bauruense executará a quatro vozes a Missa de Don Lorenzo Perosi, apresentada há mais de 50 anos, como forma de resgate do trabalho feito por sua tia.
O Coral da Igreja Nossa Senhora Aparecida foi criado em 1957. No final da década de 1950, com Victória na direção e seu marido violinista Dorival Teixeira de Godoy na coordenação do repertório, o grupo foi remodelado e passou a cantar a quatro vozes composições expressivas do repertório litúrgico erudito.
Nessa época, a família Godoy ainda estava residindo em Bauru. Em 1960, toda a família se transferiu para São Paulo e a última apresentação, ainda sob a regência de Victória, foi durante a missa solene de Natal, onde o destaque foi para a Missa Benedicamus Domino de Don Lorenzo Perosi. A partir daí, a regência do coral ficou a cargo de Iete Felício de Carvalho, irmã de Victória e mãe de Cláudia Chimbo.
Foi com algumas das músicas sacras do repertório de dona Iete que Cláudia começou o Tom Maior, coral bauruense conhecido, principalmente, por seu trabalho com a música popular brasileira.
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Perfil: Amilson
Nome: Amilson Godoy
Idade: 63 anos
Local de nascimento: Bauru
Esposa: Maria Inez Vasconcellos de Godoy
Filhos: Camila, Janaina, Frederico, Tiago
Hobby: música
Livro de cabeceira: romances
Filme preferido: “Amadeus”
Estilo musical:t odos sendo de qualidade
Time: São Paulo
Para quem dá nota 10: meus irmãos
Para quem dá nota 0: terrorismo
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Perfil: Amilton
Nome:Amilton Teixeira Godoy
Idade: 68 anos
Local de nascimento: Bauru
Esposa: Ana Luiza
Filhos: Luciana, Amilton, Daniela
Hobby: música
Livro de cabeceira: “O Evangelho Segundo o Espiritismo”
Filme preferido: “Perfume de Mulher”
Estilo musical: MPB e jazz
Time: Santos
Para quem dá nota 10: para os amigos
Para quem dá nota 0: para os pseudo inimigos
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Perfil: Adylson
Nome: Adylson Godoy
Idade: 70 anos
Local de nascimento: Bauru
Filhos: Marcel, Marcela, Adriana, Gabriela, Nicolas
Hobby: academia
Livro de cabeceira: esotéricos
Filme preferido: dramas
Estilo musical: erudito, jazz e MPB de qualidade
Time: São Paulo
Para quem dá nota 10: Pelé
Para quem dá nota 0: juiz Nicolau