11 de julho de 2026
Articulistas

Pátria: está tudo dominado

Janira Fainer Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

Estava escrevendo sobre Pátria, quando recebi de um amigo o texto de uma docente do Rio de Janeiro. Durante sua explanação, ela disse: está tudo dominado. É Caetano Veloso, o que passa por crença, ideologia, cultura, esporte e, no entanto, é só doença, monotonia da loucura... Tá dominando mesmo... Pensei em mudar de assunto, mas, na verdade, o desabafo corajoso dela era o meu, em palavras mais leves para não sofrer as conseqüências depois. Sou covarde, confesso! Afinal, a censura voltou aos bons tempos. São mais de cem dias. Pátria: significa o lugar onde se vive. Quando além desse quadro geográfico se inserem elementos de história, tradição e sangue, o país passa a ser um local sagrado, a terra dos antepassados, para ser venerada. Esse respeito transparece no beijar o chão, como acontecia com o papa João Paulo. Nação lembra nascimento e quando está formada, ela se constitui em Estado.

A sociologia usa o termo Estado-Nação como uma síntese de formas, derrogando o particular em nome do geral. É uma experiência que pressupõe a formação de uma burocracia e uniformização legislativa e fiscal. Trata-se da anulação das tradições locais para criar uma identidade nacional integrando toda população. Não por acaso, o século 19 foi marcado por um debate intelectual tentando construir a identidade de um povo, com P maiúsculo. Voltando o olhar para o passado, foram os nobres e a classe sacerdotal que primeiro governaram. Os burgueses passaram a mandatários após a revolução francesa. Depois da comuna de Paris, o povo chegou ao poder. Essa conversa chata vem a propósito dos fatos acontecidos no Brasil nos últimos tempos. Esse negócio de abolição do particular pelo bem geral foi invertido, pois está derrogado o geral em nome do particular.

A culpa é do Macunaíma. Esse mau caráter vivia dizendo: muita saúva e pouca saúde os males do Brasil são. Verdade? O país do nunca como agora, possui pouca saúva e muita saúde. Mentira... Mas tem sordidez demais para meu gosto. Verdade! O Barack Obama populista está aí para não me deixar inventar coisas. Está tudo dominado sim, pela corrupção, pela perda de valores morais e políticos. Dominado pela crença ideológica de desequilibrados, dominado pela cultura dos incompetentes, que, por esporte, pelo prazer de ver o circo pegar fogo, dividem a Pátria colocando brancos contra negros, ricos contra pobres, enquanto faturam votos em cima do ódio entre seus habitantes. O tal povo, com P maiúsculo, vai sair dessa monotonia da loucura, quando?

A autora, Janira Fainer Bastos, é articulista do JC