09 de julho de 2026
Geral

Curso e instituição influenciam no traje

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

O traje que os alunos escolhem para freqüentar as aulas está diretamente ligado ao curso que ele escolheu e a universidade onde está estudando. Para o antropólogo Cláudio Bertolli Filho, são esses dois elementos básicos que ditam a moda entre os estudantes.

Ele observa que mesmo dentro da Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde leciona, é possível notar diferenças na maneira de se vestir dependendo do curso que o aluno está matriculado. Os estudantes dos cursos de ciências humanas tendem a ser mais desapegados quanto às roupas. Os de ciências exatas se preocupam um pouquinho mais com a aparência, enquanto os de ciências biológicas ficam a meio termo.

Bertolli diz que na Universidade de São Paulo (USP), embora seja uma instituição pública como a Unesp, prevalecem os cursos na área da saúde, cujos alunos possuem um código de comportamento mais conciso e menos expansivo que os da Unesp.

Na Instituição Toledo de Ensino (ITE), ele frisa que os alunos de direito são induzidos desde o primeiro ano a se vestirem como advogados, ou seja, de uma maneira mais formal.

De forma geral, os estudantes das universidades particulares tendem a se vestir melhor, principalmente em comparação aos alunos da Unesp. Segundo o antropólogo, o discurso que prevalece na universidade paulista é em favor da pobreza.

Apesar da classe média abastada que freqüenta o câmpus, os alunos “jogam” do lado dos pobres porque essa é a filosofia da instituição, enquanto nas universidades pagas essa mesma classe média abastada não tem “vergonha” de mostrar que é rica. Por isso, ostenta um vestuário mais apurado. Bertolli lembra que também existem muitos alunos pobres nas universidades particulares, mas como o padrão da instituição onde estudam é se vestir bem, eles capricham no visual.

“Dei aula por muitos anos em universidades particulares em São Paulo e em São José dos Campos e os alunos, mesmo os que passavam apertado para pagar o curso, iam para as aulas impecáveis”, relata. Segundo ele, por causa do perfil da Unesp, se algum estudante for muito bem vestido, será visto e se sentirá como um estranho no meio.

“Da mesma forma que os alunos da Unesp têm de se uniformizar usando as roupas mais simples, nas particulares é o contrário. O aluno pode ser pobre, mas tem de estar bem vestido. Dentro do limite dele, ele vai buscar no guarda-roupas as peças mais sofisticadas”, diz Bertolli. “Isso caracteriza cada faculdade”, afirma.