07 de julho de 2026
Nacional

Conversando com o Bispo


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Aristóteles afirma categoricamente que ‘somos animais políticos’. Entretanto, não somos apenas animais políticos, somos também animais religiosos, pois afirmamos com a mesma categoria com que Aristóteles afirmava que somos animais políticos, Deus existe!

O fato de que fé e política estejam sempre vinculadas em nossas vidas concretas, como seres sociais que somos - ou animais políticos, não deve constituir uma novidade, senão para aqueles que se deixam iludir por uma leitura fundamentalista da Bíblia, que pretende desencarnar o que Deus quis encarnado. A fé é um dom do Pai a nós que vivemos neste mundo. No Céu, nossa fé será desnecessária, pois veremos a Deus face a face. Portanto, a fé é um dom politicamente encarnado, que tem razão de ser nesta conflitividade histórica, na qual somos chamados, pela graça, a distinguir o projeto salvífico de Deus.

Há quem insista que Jesus se restringiu a comunicar-nos uma mensagem religiosa que nada tem de política ou ideológica. Tal leitura só é possível se reduzimos a exegese bíblica à pescaria de versículos, arrancando os textos de seus contextos. Não é só o texto que revela a Palavra de Deus, mas também o contexto social, político, econômico e ideológico, no qual se desenrola a prática evangelizadora de Jesus. Todos nós, cristãos, somos indiscutivelmente discípulos de um personagem da história que foi um prisioneiro político de seu tempo. Mesmo que na consciência de Jesus houvesse apenas motivações religiosas, sua opção pelos oprimidos, seu projeto de vida para todos, tiveram objetivas implicações políticas. Por isso ele não morreu na cama dormindo ou de morte natural de idade avançada, mas foi condenado à pena de morte e, ainda muito jovem, morreu de forma violenta numa cruz.

  Nem mesmo em Jesus é possível ignorar a íntima relação entre religião e política, ainda que, para alguns cristãos, pareça estranho aplicar certas categorias Àquele que nos assegura, por sua ressurreição, a vitória da vida sobre a morte e da justiça sobre a injustiça. Que Jesus tinha fé o sabemos pelos textos que falam dos longos momentos que ele passava em oração.

    Já na introdução de seu evangelho, Marcos mostra como as curas operadas por Jesus desestabilizaram de tal modo o sistema ideológico e os interesses políticos vigentes, que levaram dois partidos inimigos - o dos fariseus e o dos herodianos - a fazerem aliança para conspirar em torno do “plano para matar Jesus”. Assim, vê-se que as implicações políticas da ação salvífica de Jesus tornaram-se tão graves e ameaçadoras, que induziram Caifás, em nome do Sinédrio, a expressar que era “melhor que morra apenas um homem pelo povo do que deixar que o país todo seja destruído”.

   Lucas registra que “Jesus crescia tanto no corpo como em sabedoria diante de Deus e dos homens”. Fica claro que Jesus era um homem de seu tempo e que, segundo Paulo, “pela sua própria vontade abandonou tudo o que tinha e tomou a natureza de servo e se tornou semelhante ao homem”. A divindade de Jesus não transparecia por uma consciência que pudesse emergir completamente de seu contexto cultural e pairar, onisciente, acima do tempo e do espaço. Jesus era Deus encarnado e possuía a mesma natureza do Pai, contudo assumiu a natureza humana e se fez homem igual em tudo a nós, exceto no pecado.

 Portanto, Jesus era Deus não só por sua condição natural de Deus, mas porque amava assim como só Deus ama. E nisto consiste a nossa imagem e semelhança com Deus: é divina a natureza de todo amor de que somos capazes. E o somos como abertura a Deus, que nos habita mais profundamente do que o nosso próprio eu, e nos ensina acolher o próximo. No entanto, nossa consciência, como a de Jesus, permanece tributária de nosso lugar social e de nosso tempo histórico. Em Jesus, Deus acolhe preferencialmente os oprimidos, em cujo lugar social se encarna e a partir do qual anuncia a universalidade de sua mensagem de salvação. Não há, pois, neutralidade. Jesus assume a ótica e o espaço vital dos pobres. Seu ponto de vista é a vista situada a partir de um ponto, o da promessa que ressoa como bem-aventurança aos que injustamente foram privados da plenitude da vida. “Felizes os pobres porque deles é o Reino dos Céus”.

Padre Milton César Carraschi Coordenador Diocesano de Pastoral e pároco da igreja São José Trabalhador

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NOTÍCIA

Diocese convoca lideranças para assembleia

A Renovação Carismática Católica convida a todos para a Noite de Oração “Pais rezando pelos filhos”, que acontece no próximo dia 27 de novembro, às 20h, na matriz de Santo Antônio, em Bauru. Haverá a presença do casal Wilson e Marli, do Ministério das Famílias. A igreja fica na quadra 11 da Rua Santo Antônio, no Jardim Bela Vista, em Bauru.

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AGENDA DA SEMANA

• Festa de Santa Cecília: missa festiva com procissão e benção para os músicos às 19h, na Capela Santa Cecília, da Paróquia Paulo Apóstolo, de Agudos, na av. Capitão Francisco Avato, 235 (Abrigo Vicentino). Informações: (14) 3262-1237.

• Festa de Santa Catarina de Alexandria: 22/11 às 09h30 – Procissão saindo da Capela São Pedro até a Matriz, seguida de missa campal. Almoço com sorteio de prêmios e leilão do gado a partir das 11h; 25/11 – Dia da Padroeira - Missa na Matriz às 19h30. A igreja fica na Praça Dídimo Maulaz da Silva, 780, no Centro de Arealva. Fone: (14) 3296-2244.

• Festa de Nossa Senhora das Graças: dia 27/11, alvorada às 6h e missa às 6h30; procissão às 19h30 e missa às 20h. Quermesse: 28/11 a partir das 16h; dia 28, prática de rapel na torre da igreja, a partir das 14h30; e dia 29, almoço de confraternização, das 12h às 14h, com show de prêmios. A Igreja Nossa Senhora das Graças está localizada na Alameda Cônego Aníbal Difrância, 10-4, no Parque Vista Alegre, em Bauru. Fone: (14) 3239-2599.

Perguntas para dom Caetano podem ser enviadas para o e-mail: pascom@bispadobauru.com.br

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