09 de julho de 2026
Nacional

Dutra é favorito para presidência do PT


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São Paulo - O PT deve eleger hoje o presidente nacional do partido que terá como missão engajar seus filiados e agregar os aliados na primeira eleição direta presidencial sem Lula desde a fundação da sigla, em 1980.

José Eduardo Dutra (SE), ex-senador e ex-presidente da BR Distribuidora, braço da Petrobras, é o favorito para vencer a disputa ainda no primeiro turno do PED (Processo de Eleições Diretas) do PT, que terá ainda outros cinco candidatos.

Além de ser o candidato da corrente majoritária, ele agrega apoios importantes, como os dos grupos Novo Rumo e PT de Lutas e de Massas, que tiveram candidato em 2007. O mandato da nova direção é de três anos.

Se a vitória se confirmar, será a primeira vez desde 2005, ano do mensalão, que a disputa não irá para o segundo turno, um sinal de que as fissuras provocadas pelo escândalo da transferência de recursos aos parlamentares da base do presidente Luiz Inácio Lula Silva estão muito próximas de ser totalmente sanadas, ainda que momentaneamente, por conta da campanha ao Planalto.

A coesão do partido é diretamente proporcional ao poder e à importância que a sigla terá na campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a candidata de Lula a presidente. Subdivisões internas enfraquecem a nova direção para negociar com potenciais siglas aliadas, o PMDB principalmente.

Dutra faz parte da corrente CNB (Construindo um Novo Brasil), nascida do espólio pós-mensalão do antigo Campo Majoritário. O ex-ministro José Dirceu era o seu principal líder e presidente do partido na campanha vitoriosa de Lula nas eleições presidenciais de 2002.

Perspectiva de poder Para Dutra, considerado um petista próximo da ministra da Casa Civil, o desafio de eleger Dilma é maior do que o enfrentado por Dirceu naquele ano.

“É claro que ela (Dilma) não é o Lula, mas qualquer nome que surgisse agora, ao se fazer comparação com o Lula, entraria em desvantagem. Mas Dilma é consenso absoluto”, diz Dutra.

Nos PEDs de 2005 e 2007, vencidos por Ricardo Berzoini, também da CNB, a corrente Mensagem ao Partido, do atual candidato José Eduardo Martins Cardozo (SP), deputado federal, foi a principal adversária do grupo majoritário.

Neste ano, no entanto, Cardozo e seu grupo, liderado pelo ministro Tarso Genro (Justiça) e que chegou a pregar a “refundação” do PT em meio ao escândalo, admitem que será preciso união para eleger Dilma e também para ter importância em um eventual terceiro mandato petista no Planalto.

“Na eleição presidencial, de um lado, estarão as forças que vão defender a continuidade do governo Lula. Do outro, o grupo conservador e neoliberal. O papel do PT será construir e liderar o conjunto que vai trabalhar para manter as conquistas do presidente, apoiando a nossa candidata. Ao mesmo, o partido vai preparar as condições para o novo governo no caso da vitória dela”, diz Cardozo.

Em 2007, Cardozo não chegou ao segundo turno, que acabou sendo disputado entre Berzoini e Jilmar Tatto (SP), deputado federal que neste ano apoia Dutra na chapa da CNB. Estima-se que o PT tenha hoje 1,35 milhões de filiados.