08 de julho de 2026
Nacional

Isolado politicamente, morre Celso Pitta


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São Paulo - Celso Roberto Pitta do Nascimento, de 63 anos, ex-prefeito de São Paulo (1997-2000), morreu às 23h50 de anteontem, vítima de câncer no intestino. Ele estava internado desde o dia 3 no Hospital Sírio-Libanês. Lutava contra a doença havia onze meses. O corpo foi velado na Assembléia Legislativa desde as 13 horas de ontem. O sepultamento foi ontem às 17 horas no Cemitério Getsêmani.

Isolado politicamente - vivendo de “algumas consultorias” na área de economia, como ele próprio informava -, Pitta morreu acuado pelo Ministério Público e pela Justiça sob acusação de atos de improbidade administrativa e corrupção.

Economista, com mestrado na Universidade de Leeds (Inglaterra) e na de Harvard (EUA), despontou durante a gestão de Paulo Maluf, seu padrinho político, na Prefeitura de São Paulo (1993-1996). Naquele período exerceu a função de secretário de Finanças e envolveu-se em um dos episódios mais emblemáticos do governo Maluf - emissão de Letras Financeiras do Tesouro para pagamento de precatórios, dívidas judici ais da administração.

Ao final de seu mandato, Maluf escolheu Pitta para sucede-lo. Foi uma surpresa. Aos céticos, Maluf declarou: “Votem no Pitta, e se ele não for um grande prefeito, nunca mais votem em mim”.

Pitta elegeu-se com 62,2% dos votos, superando Luiza Erundina (PT) no segundo turno. Mas logo rompeu com Maluf, que nem ao velório foi. Em viagem, segundo sua assessoria, Maluf, hoje deputado federal (PP-SP), mandou telegrama.

O ex-governador Orestes Quércia (PMDB) lamentou. “O Pitta, no fundo, é um injustiçado. É mais vítima do que algoz em todo o processo. Desejamos que ele vá para o céu”.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que foi secretário de Planejamento de Pitta entre 1997 e 1998, também lamentou.

No último ano de sua gestão na prefeitura, Pitta foi afastado do cargo por decisão judicial. Citado em demandas da Promotoria do Patrimônio Público, ele perdeu o comando da cidade por causa de um empréstimo de R$ 800 mil, que tomou de um empresário que acabou beneficiado pela administração. Ficou fora 19 dias até que o Superior Tribunal de Justiça o reconduziu à cadeira de prefeito.

Problemas na Justiça

Com os bens bloqueados por ordem judicial, Pitta enfrentava vinte ações de caráter civil. A legislação penal determina extinção de ação com a morte do acusado. Mas as ações civis não se encerram. O artigo 8.º da Lei 8.429 (Lei da Improbidade) estabelece que o sucessor daquele que causa lesão ao patrimônio público ou enriquece ilicitamente fica sujeito às mesmas penas - os herdeiros ficam com os bens e com as dívidas. Pitta deixa um casal de filhos.

Pitta foi preso em julho de 2009 durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, acusado de supostos envolvimento em crimes financeiros, assim como Daniel Dantas e Naji Nahas.

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Enterro

São Paulo - Sob chuva forte, familiares, amigos, políticos e partidários acompanharam o enterro do ex-prefeito Celso Pitta no final da tarde de ontem, no cemitério Getsêmani, em São Paulo. Não houve discursos, apenas uma salva de palmas, ao mesmo tempo em que algumas pessoas repetiram em voz alta “Pitta, Pitta, Pitta”!

Dos familiares mais próximos, foram ao enterro a mãe de Pitta, dona Zuleica, de 89 anos, a viúva, Rony Golabeck, e os filhos Vítor e Roberta Pitta.

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Problemas após separação de Niceia

São Paulo - As controvérsias entre o ex-prefeito e sua ex-mulher, Niceia Camargo, tiveram início após a separação do casal, em 1999. Insatisfeita com a quantia supostamente oferecida pelo ex-prefeito em uma espécie de acordo de separação, a ex-primeira dama acusou Pitta de comprar parlamentares da Câmara dos Vereadores para encerrar uma CPI que poderia terminar com um processo de impeachment.

Três anos depois, em 2003, durante depoimento à CPI do Banestado, ela disse que Pitta recebeu propina quando era prefeito e enviou recursos ilegalmente ao exterior. Outro imbróglio entre o casal ocorreu quando Pitta foi condenado a pagar uma dívida de R$ 100 mil a Niceia referente a cinco meses de pensão alimentícia atrasada.

Neste último episódio, o ex-prefeito não foi encontrado pela polícia e foi considerado foragido por uma semana. Durante este período, Niceia não poupou esforços para constranger o ex-prefeito: primeiro, ofereceu R$ 1 mil para quem apresentasse informações que levassem à sua prisão.