08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

IPVA, pedágios... acinte!


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Concordo com os leitores Marco Antonio das Neves e Roberto Bastazini que, em cartas enviadas esta semana a esta Tribuna do Leitor, protestam por sermos obrigados a pagar IPVA e também os pedágios. Se as nossas principais estradas foram transformadas agora em feudos medievais, arrendadas por décadas, onde só se passa pagando, o que justifica, então, o Estado nos cobrar esse imposto absurdo? Já pagamos impostos altíssimos quando compramos nossos veículos, quando trocamos as suas peças, quando precisamos de serviços de reparos, quando compramos combustível e por aí vai. Somos obrigados também a pagar pelo licenciamento anual do veículo (outra coisa que parece servir apenas para nos tomar dinheiro).

E, de tempos em tempos, ainda, para renovar nossa carteira de habilitação. Até quando seremos sufocados por essa infindável lista de impostos e taxas escorchantes simplesmente por sermos proprietários de um carro e podermos nos locomover com ele? Se basta ser proprietário de um veículo automotor para gerar a obrigação de pagar esse famigerado IPVA então, por essa “lógica”, não será surpresa se um dia os nossos governantes e parlamentares eleitos, valendo-se da sua costumeira imaginação e competência para nos arrancar até o últim o centavo, instituírem, por exemplo, o Imposto sobre Propriedade de Geladeiras (IPG) ou então o Imposto sobre a Propriedade de Túmulos (IPT), ou mesmo o Imposto sobre a Propriedade de Aparelhos de Ar-Condicionado (Ipaac). Ou, talvez, o Imposto sobre a Propriedade de Bicicletas (IPB). Seria ridículo e abusivo? Ué, o IPVA não é? Os parlamentares e sociedade, embalados por uma campanha esquisita, deram apoio e as suas energias para exigir o fim da CMPF (que fez os sonegadores, traficantes, corruptos e lavadores de dinheiro soltarem rojões de tanta alegria). Já sobre o IPVA, que é um acinte e que nos toma muito mais dinheiro, ninguém da oposisão ou dos governos ou das entidades se manifesta. Claro, não sejamos ingênuos: metade do seu valor vai, limpinho, para os cofres das prefeituras. Assim, que deputado, senador ou representante da sociedade civil quer a ira dos governadores e também dos prefeitos contra si? Preferem, naturalmente, que continuemos a alimentar a insaciável fome arrecadadora do Estado e bancar a sua gastança irresponsável. Assim, resta-nos protestar. Principalmente nas urnas.

Adriano A Bruno - bancário