08 de julho de 2026
RH & Tendências

Teatro é arma em recursos humanos

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

É inegável. Quando nos identificamos com o personagem de uma obra artística, ela se torna imediatamente mais atraente. Este talvez seja o segredo de uma tendência já consolidada na área de recursos humanos: utilizar o teatro para passar uma mensagem aos profissionais que compõem uma empresa, preparando-os para as mudanças e exigências do mercado e alertando-os para a qualidade dos serviços prestados.

Uma das empresas que adotaram a estratégia em Bauru foi a Nutrisaúde Refeições Coletivas. Na semana passada, seus gestores tiveram a chance de se deliciarem com uma comédia, apresentada no auditório da Ordem dos Advogados de Bauru (OAB) - Subseção Bauru, que abordou as difíceis relações no trabalho.

Entre uma gargalhada e outra, em 90 minutos de encenação da peça “A comédia das relações difíceis no trabalho – Transformando diferenças pessoais em diferenciais cooperativos”, os funcionários refletiram sobre como transformar diferenças pessoais em diferenciais cooperativos.

Na peça, os personagens Anderson e Marilda, interpretados por Ronaldo Michelotto e Renata Durynek, mostraram como identificar e administrar problemas entre chefia e subordinado, cliente e fornecedor internos, cliente e fornecedor externos, além de membros da mesma equipe. O conteúdo da peça também discutiu por qual razão as relações de trabalho se tornam complicadas. O objetivo dos atores é justamente preparar a platéia para identificar diferenças pessoais de percepção, motivação, estilo, interesse e experiências culturais.

Quando as cortinas se fecham, o interessado já tomou ciência sobre como lidar de maneira construtiva e profissional com as diferenças pessoais. Também foi estimulado a identificar e trabalhar com comportamentos destrutivos de colegas/subordinados (é o caso dos agressivo-competitivo; sabotador; explosivo; sabe tudo; concorda com tudo; indefinido; discorda de tudo e ‘reclamão’).

Ao acompanhar a trajetória do casal, que ainda por cima está às voltas com problemas familiares, os profissionais convidados a assistir à peça foram lembrados sobre como desenvolver relacionamentos produtivos, lidando com conflitos e buscando sinergia. No quesito ‘competência interpessoal no trabalho’, os atores discutiram a capacidade de fomentar empatia, ouvir e administrar embates.

Segundo profissionais da Nutrisaúde, a peça os balizou com relação à priorização de conflitos a serem administrados, os estimulou a avaliar fatos e a lidar com emoções para resolverem problemas reais, a despeito das ameaças de auto-imagem. Se a comédia e o drama sobrevivem de mãos dadas, por que não tratar de forma bem humorada as complicadas relações de trabalho?

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A peça

Em “A comédia das relações difíceis no trabalho - Transformando diferenças pessoais em diferenciais cooperativos”, Anderson e Marilda formam um casal às voltas com problemas profissionais e familiares que vão para uma sessão de terapia em grupo.

Ele é um gestor de uma equipe de vendas com vários conflitos com a equipe, clientes e parceiros de outros setores. Estressado e agressivo, não tem paciência para negociar soluções dentro e fora da empresa.

Já Marilda é uma consultora organizacional que precisa implantar um processo de mudança numa grande empresa. No processo, ela enfrenta a resistência de grande parte das pessoas. Ainda tem de lidar com uma cultura organizacional baseada nos ‘feudos dos departamentos’, em que os conflitos são camuflados ou postergados. Para piorar, Marilda tem dificuldade em confrontar e estimular pessoas a administrem os conflitos.

Ao mesmo tempo, o casal enfrenta problemas sérios no casamento e precisa aprender a lidar com relações difíceis na família e no trabalho, sob o risco de perderem tanto o casamento quanto seus empregos. Durante a sessão de terapia em grupo, a platéia é convidada a participar de alguns momentos, ora ajudando a encenar alguns casos, ora opinando e aconselhando o casal.

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Consultores e atores

Os consultores responsáveis pela treinamento “A Comédia das Relações Difíceis no Trabalho - Transformando diferenças pessoais em diferenciais cooperativos” também têm intimidade com o palco. Djalma de Lima, por exemplo, é diretor, autor e ator. É roteirista e dirige espetáculos empresariais há dez anos.

Lima foi dramaturgo e roteirista de peças como “O homem que sabia falar javanês”, “A fuga”, e “Energia pura”. Com formação em educação artística com habilitação em artes cênicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), produziu filmes e participou de peças como “Muitas luas” e “O Bem Amado”. Já André Tadeu Aguiar de Oliveira é criador, consultor, ator profissional e dramaturgo. Trabalha com teatro treinamento desde 1994.

Partiram de Oliveira os trainings shows como “Liderando equipes campeãs”, “A jornada de um vencedor” e “Sociedade secreta do bom atendimento”. Ele é, ainda, autor do romance “O drama da liderança”, lançado em 2002, e diretor proprietário da Central Paulista de Produções e Cursos Livres, que promove realizações de projetos de treinamento empresarial e promoção de eventos culturais e artísticos.

Oliveira é também autor e produtor de peças como “Competências humanas”, “Comunicando para liderar”, “Super profissionais do atendimento 1 e 2”, “Fale a língua do cliente”, “Comédia da liderança”, “Comédia do segredo”, além de diversos outros espetáculos para empresas.