08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O barulho


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A TV noticiou sobre um feirante que foi proibido de proceder como sempre o fez para vender seus legumes, por falar muito alto durante as horas em que está trabalhando. Quando uma igreja evangélica exagera no volume do sermão e dos hinos, incomodando a vizinhança, lá vem problema. Se alguém dá uma festa em casa ou em boate e o barulho passa do horário (ou não), a polícia é chamada. Tudo bem que ninguém tem direito de perturbar os outros. Nem mesmo certos apresentadores descontrolados de TV - quanto a esses, é só apertar um botão e pronto. A questão é a seguinte: por que não é igual para todos?

Tive uma vizinha que ouvia suas músicas em volume altíssimo, mesmo antes das 22 horas e, como eu, os moradores anteriores à minha época, também viram-se obrigados a se mudar, aguentando aquele horror diário, mas depois de um ano para evitar a multa no aluguel. A imobiliária “não conseguia” resolver, a mulher saía difamando quem a criticasse e quando se chamava a polícia, ela sempre se saía bem. Eu tenho a saúde delicada e cheguei a ir para o PS, por passar mal, pelos sustos que levava. Não adiantava, pois ela não respeitava criança, idoso ou doentes. Ela ficava também acordada de madrugada rezando a novena na janela ao lado. Um outro sr. da mesma igreja dela, vizinho de um conhecido, também costuma soltar fogos às 6 horas da manhã, nos dias de festa religiosa, assustando a todos e depois vai dormir.

Respeito todas as religiões, mas acho que não deveriam querer obrigar os outros a seguí-las. A igreja que as pessoas mencionadas frequentam, todos os dias em que funciona, costuma acionar o carrilhão em todos os momentos que antecedem as celebrações, desde o nascer do sol e os sinos tocam de um a três minutos. Como fica num lugar mais alto, o barulho ecoa e chega a doer a cabeça da gente, obriga a acordar quem pode dormir mais e os cães da vizinhança uivam.

Esquecem-se de que não estamos num vilarejo antigo, onde o sino era tão importante para avisos e atrair os fiéis. Que cada um festeje ou siga o que desejar, mas não se esqueça de que não está sozinho.

Ana Maria Lellis Krupelis