08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ranking da dor moral


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Era de se esperar. Embora seja o tipo de notícia que ninguém gosta de ler, mais uma vez se constata a deprimente posição do Brasil no ranking da corrupção. Dois fatores são preocupantes. Primeiro: os países que estão atrás do nosso, tipo Zâmbia, Tonga, Senegal, Bósnia e uma miríade de republiquetas sem expressão global, ou têm convulsões sociais gravíssimas, como guerras internas ou externas, ou prescindem de estrutura democráticas que exerçam um papel fiscalizador nos seus governos. Este não é o modelo do Brasil.

Segundo: os países que estão em melhor situação são povoados por gente de cultura geral avançada, que não se vendem por migalhas para macaquear debaixo de palanque eleitoral, tão pouco que se silenciam diante de questões de ordem nacional. Mais uma vez, esse não é nosso modelo.

Embora sejamos uma das maiores economias do planeta, com um mercado interno aquecido, estrutura democrática sólida e empresariado competente, como nos países desenvolvidos, sofremos com a corrupção tal como as republiquetas das bananas.

O problema é sistêmico e endêmico. O jeitinho brasileiro, tido como uma forma de vida, é a nódoa que nos consome sorrateiramente. O baixo nível de nossos políticos exibe a péssima qualidade do povo. Além do mais, a maioria do povo está aquém da linha mediana de cultura e, somado a isto, vivemos a industrialização e oficialização da corrupção promovida pelo próprio governo, gerando uma sensação de dissoluta onipresença quase irreversível.

O resultado não poderia ser mais desastroso. Para quem tem noção do drama, somos o primeiro no ranking da dor.

Ivan Garcia Goffi - advogado