08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Vida real


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As crianças já não correm saudavelmente pelas ruas. As bicicletas coloridas não fazem mais parte dessa sociedade em preto e branco. Nos becos corre a água e o fedor é constante. As velhas bonecas que há tempos foram sinônimo de diversão agora já não têm mais suas cabeças. A lama está na rua, no telhado e no piso dos barracos amontoados.

Uma garotinha já não tem mais tempo de correr até a venda com o punhado de moedas para trocar por balas, porque o padrasto usa seu corpo como bem quer, quando bem lhe dá vontade. O jovem/menino soma os pequenos trocados de dinheiro para trocar pelas pedras brancas. Bêbados se multiplicam nos botecos imundos e senhoras inocentes morrem no tiroteio.

O morro é barato, sujo, largado, governado por traficantes e tiros ao léu. Umas balas para cima ou na cara do alemão. “Laranjinhas” e “aviõezinhos”.

Maria’s e Joana’s. Pedro’s e José’s. Ursos de pelúcia já não existem mais. Colchões se espalham pelo casebre cada vez mais empanturrado de gente faminta.

Está na rua ou no bar. Tem as esquinas e os antros. Fumaça vai e tapa a cara de quem passa. Ou somos nós que fechamos os olhos?

Hey, gringo! Esse é o lado negro da coisa! Brasil não é só praia, seios, samba, futebol e glúteos. É também essa coisa cinza, que voa longe, bem distante, levada pela brisa. Só no baseado. Cai depressa. Sonho atropelado.

Joyce Andrade - 15 anos