Dona Ilda Nogueira do Santos, 76 anos, é um anjo da guarda daqueles que multiplicam coisas boas e dividem belas lições de vida. Exemplo de amor ao próximo e de cidadania, até hoje ela se encaixava nas estatísticas de cidadão que ajuda ao próximo, se doa incondicionalmente, mas não aparece ou ganha destaque. Uma história de conquistas e superação não poderia passar em branco.
Mãe de 18 filhos, ela nasceu em Lins (SP) e veio para Bauru há 36 anos motivada pelo irmão, que morava na cidade há algum tempo. “Ele dizia que aqui era melhor, então viemos tentar a vida”, conta.
Desde que chegou ao município, ela mora em uma casa humilde, de cinco cômodos (uma sala, um banheiro, dois quartos e uma cozinha), na quadra 7 da rua São Sebastião. Apesar das dificuldades, nunca virou as costas para as desigualdades sociais e os problemas que muitas mães carentes enfrentavam. Por isso, além de criar os 18 filhos adotou outras oito crianças, abandonadas por mulheres que não tinham condições de cuidar dos pequenos. Atualmente, dona Ilda tem 60 netos e 40 bisnestos. O membro mais novo da família é um bisneto com alguns meses de vida.
Apesar de grande, a família sempre que pode se reúne e a exemplo da mãe, os filhos e netos tomaram gosto pelo terceiro setor e colaboram nas ações sociais que dona Ilda ainda realiza. “São tantas pessoas que infelizmente não sei dizer quantos morreram e quantos estão vivos. Mas ainda somos em muitos”, conta. “Nesta trajetória, passei sufoco, mas contei com a ajuda de algumas pessoas aqui em Bauru. A família Paiva foi uma das que sempre estiveram ao meu lado”, acrescenta.
Ao conhecer a residência, fica difícil imaginar como 26 filhos conseguiam dormir no local. Hoje, 19 pessoas entre filhos, netos e bisnetos moram na casa, além de dona Ilda. “No período da noite você não consegue entrar na casa de tantos colchões que são espalhados. Sempre foi assim e continua sendo. Acho que onde dorme e come um, dois também podem fazer isso. E mesmo com tanta gente, nunca houve briga dentro da família”, revela.
“É muito gostoso ver todo mundo junto. Não me arrependo e, se pudesse voltar, faria tudo de novo”, acrescenta dona Ilda, que apesar dos 76 anos, ainda trabalha e atendeu a reportagem do JC com dores nas costas porque foi ajudar na construção de mais um cômodo para a casa.
Além disso, todos os anos, dona Ilda realiza uma festa em comemoração ao Dia das Crianças para os pequenos moradores da região. Para isso, conta com a ajuda dos filhos que doam o que podem. “Um dá um pacote de arroz, outro de macarrão e assim juntamos a comida e fazemos um grande almoço para elas”, conta. No Natal, a sua casa vira a sede de uma festa, também para as crianças, organizada por outros “anjos da guarda”.