10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Por um pouco mais de gentileza


| Tempo de leitura: 3 min

Dia 12 de novembro, véspera do dia da Gentileza, foi um dia interessante. Dia em que pude observar e viver dois pontos extremos: o de total gentileza e de sua total falta. Pude constatar, com um pouco mais de experiência, como ela está se tornando cada vez mais rara em nossa sociedade e, para não ser tão pessimista, também tive a oportunidade de perceber que existem pessoas especiais que ainda fazem dela rotineira e habitual. Pela manhã me deparei com um exemplo de gentileza: fui à uma consulta médica com o dr. Roberto Marins, que eu não conhecia, mas que me surpreendeu com sua competência profissional e sua atitude atenciosa e gentil com que me atendeu.

Em contradição com o vivido pela manhã, no período da tarde, precisava estacionar o carro próximo à Prefeitura de Bauru, mas não havia nenhuma vaga e, apesar de ter procurado muito por uma e ter dado várias voltas no quarteirão, não estava encontrando. Foi quando, finalmente, avistei uma em frente à Prefeitura. Olhei para ver se podia estacionar ali e percebi que ela ficava entre duas vagas reservadas para veículos oficiais.

As vagas reservadas estavam ocupadas por veículos da Prefeitura, um dos veículos aberto, com funcionários próximos. Paradas, em frente ao meu carro, várias pessoas, formando uma rodinha de conversa, eram funcionários da prefeitura. Vi bem que me observaram olhar para as placas, estacionar e descer do veículo. Após resolver o que precisava, o que não demorou mais de 15 minutos, voltei para pegar o carro e me deparei com um policial que havia me multado por estacionar em local proibido. Este informou que funcionários da Prefeitura ligaram para a PM informando o ocorrido.

Apesar da vaga enganar muito - realmente parecia não ser proibida - recebi a multa. O policial estava certo, tinha que cumprir o seu papel (não é isto que questiono). E eu deveria ter prestado mais atenção. Não foi o trabalho do policial que me decepcionou, nem aquela placa estranha, longe da vaga, que enganava bem o motorista. O que me deixou decepcionada foi a atitude das pessoas que assistiram a tudo. Ninguém teve a capacidade de informar, quando passei ao lado deles, ou quando me viram na dúvida em estacionar, que aquela vaga era proibida. Nenhum teve a gentileza e a empatia de falar alguma coisa, apesar de terem visto que não fiz por mal, e observarem a minha preocupação antes de parar o carro. Ao contrário, assim que desci, ligaram para os policiais.

Fico me perguntando quanto custa uma gentileza e porque hoje em dia ela é tão rara. São pessoas que não conseguem diminuir a velocidade do carro quando vêem uma pessoa idosa atravessar a rua, que não sabem dizer um bom dia, ou por favor, que não conseguem ceder o lugar à uma gestante ou idoso no ônibus, que não sabem reconhecer a dor ou o sofrimento do próximo. Não sabem elogiar, prestar favores, ser solidário. Gente que não sabe, enfim, se reconhecer no outro. Com atitudes simples, podemos contribuir com quem está ao nosso lado, nos tornarmos pessoas melhores, mais humanas e por que não, mais sábias, mais conscientes do sentido de nossa existência. Por ser urgente a mudança, ainda insisto: Sejamos gentis.

Talita Alvares Gomes - assistente social