09 de julho de 2026
Geral

Esgoto derruba Bauru em ranking

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A pesquisa “A falta que o saneamento faz”, do Instituto Trata Brasil, mostra que entre as 77 cidades com mais de 300 mil habitantes do País, Bauru é a 72.ª no quesito “esgoto tratado para água consumida”. Como todo o esgoto produzido pela cidade não é tratado, levou nota zero nesse item. Porém, como possui 97% das residências com coleta de efluentes, ficou na 6.ª posição nesse quesito. Na pontuação final, Bauru ficou na 37.ª colocação no ranking elaborado pela entidade. Franca ficou em primeiro.

O levantamento, realizado pela Fundação Getulio Vargas, leva em conta as informações fornecidas por cada cidade ao Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, referentes a 2007. Desde o início da elaboração do ranking, a melhor colocação de Bauru foi em 2006, quando ocupou a 16.ª colocação.

De acordo com Raul Pinho, presidente do instituto, a oscilação de posições da cidade nos levantamentos pode ser atribuída às informações prestadas ao ministério. “São avaliados os números fornecidos pelos próprios prestadores de serviços (em Bauru, o Departamento de Água e Esgoto)”, esclarece. “Nossa crítica é que esses dados não são auditados”, afirma. Ou seja, as informações passadas pelas cidades não são checadas.

Porém, o mais provável é que Bauru não investiu o tanto que deveria em saneamento básico, por isso, foi ultrapassada por outros municípios. Pinho explica que tratamento de esgoto e dinheiro investido nessa área são os itens que mais são levados em conta na hora de estabelecer o ranking. “Caso Bauru tivesse índices melhores nesses dois pontos, certamente estaria melhor classificada”, pondera.

Apesar de recolher o esgoto de quase todos os imóveis da cidade, todo efluente de Bauru recolhido é jogado sem nenhum tipo de tratamento nos córregos e rios do município. Segundo o Departamento de Água e Esgoto (DAE), a cidade lança a cada segundo 1,5 mil litros de esgoto não tratado nos corpos d’água.

Ações

Para reverter essa situação, a autarquia investe na implantação de interceptores - tubulações instaladas nas margens dos corpos d’água que coletam o esgoto lançado pelos imóveis e os transportam até o local onde será tratado. De acordo com a diretora de divisão de planejamento do DAE, Nucimar Paes, Bauru já conta com uma rede de 60 mil metros de interceptores instalados.

A meta é atingir 95 mil metros até meados de 2011. Para conseguir concluir os 35 mil metros restantes, o departamento vai licitar a implementação da melhoria nas margens do Rio Bauru, na avenida Nuno de Assis. “Enquanto uma empresa realiza essa etapa, equipes do DAE irão fazer a instalação de interceptores nas margens do córrego Água Comprida”, explica a diretora.

Porém, essas tubulações estão direcionando o esgoto para longe da cidade. Ele ainda não possui nenhum tipo de tratamento. É aí que está o grande desafio da cidade: a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa, no Distrito Industrial 1, que ainda está em processo de licitação. A obra, orçada em R$ 80 milhões, ainda não tem previsão de início. Nucimar explica que o processo está parado, aguardando prazo para que as empresas que participam da licitação apresentem recursos, já que as duas foram inabilitadas.

Porém, ainda é discutida a forma de financiamento dessa obra. Por conta de todos esses entraves, a expectativa é que a ETE Vargem Limpa demore cerca de cinco anos para ser concluída.

A ETE Candeias, no Núcleo Gasparini, está com obras em andamento. De acordo com a diretora, a empresa responsável pela construção apresentou um projeto para aumentar de 30 mil para 48 mil a quantidade de pessoas atendidas com a melhoria. “É muito interessante, pois dará uma capacidade de sobrevida grande ao empreendimento”, observa.