08 de julho de 2026
Nacional

Aids cresce nos pequenos municípios

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - A aids avança mais nas cidades do Interior do País, com até 50 mil habitantes, enquanto nos grandes centro urbanos a tendência é de queda ou estabilização na taxa de incidência da doença. É o que mostra o último boletim epidemiológico apresentado ontem pelo Ministério da Saúde.

Nos municípios com menos de 50 mil habitantes, a incidência (número de casos por 100 mil habitantes) passou de 4,4 para 8,2 entre 1997 e 2007. Situação inversa ocorreu nas cidades com mais de 500 mil habitantes. Em 1997, esse índice estava no patamar de 32,3, e a taxa chegou a 27,4 em 2007.

Ambas as tendências são observadas nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, de acordo com a diretora do departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão.

Entre as cidades com mais de 500 mil habitantes, o município com maior queda na incidência em dez anos foi Ribeirão Preto (72%). Outras seis cidades paulistas também estão no topo do ranking - São Paulo ocupa a 7.ª posição.

“A aids é ainda uma doença de grandes e pequenos municípios porque hoje 90% das cidades no Brasil têm pelo menos um caso”, diz Simão. Segundo ela, essa tendência de interiorização da aids era esperada no Brasil. Ela aponta que o País tem elevado percentual de população adulta sexualmente ativa e os índices de uso regular do preservativo ainda são baixos para a população em geral.

Nas regiões Norte e Nordeste, no entanto, há um crescimento da doença tanto nos municípios grandes quanto nos pequenos. “Há Capitais em que mais que dobrou a incidência nos últimos dez anos”, afirma Mariângela Simão.

É o caso, por exemplo, de Recife e de Maceió, que registraram aumento superior a 80% na incidência entre os anos de 1997 e 2007.

Em cidades no Norte do País, a situação é mais preocupante. Em Belém, a incidência de aids teve crescimento de 230% em dez anos, de acordo com o Ministério da Saúde.

Segundo a diretora do departamento de DST/aids, os Estados de Roraima e do Amapá exigem atenção maior porque há grande fluxo de migração na fronteira com a Guiana e a Guiana Francesa. “As Guianas têm dez vezes a taxa de incidência que existe no Brasil.” Ela indicou também que na região Norte existe maior dificuldade de acesso geográfico, o que pode dificultar a procura por tratamento e diagnóstico.

Dados preliminares mostram que em 2008 o país teve 34,4 mil casos novos de aids. O número é considerado estável em relação ao ano anterior, quando o Ministério da Saúde registrou 33.909 notificações. Apesar da tendência de queda, o Sudeste é ainda a região que concentra o maior percentual de casos (quase 60% do total).

O Ministério da Saúde estima que 630 mil pessoas estejam infectadas no País - sendo que cerca de 255 mil ainda não se submeteram ao teste de HIV e desconhecem que são portadoras do vírus da aids.

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Mulheres jovens

Brasília - A aids cresce mais entre as meninas do que entre os meninos na faixa etária dos 13 aos 19 anos. Por conta dessa tendência, que se mantém nos últimos dez anos, o Ministério da Saúde fará a próxima campanha de Carnaval voltada para elas. Trata-se de uma das únicas faixas em que há mais casos de aids no sexo feminino. Atualmente, para cada 15 casos da doença em homens, existem, aproximadamente, dez casos em mulheres.

Dados do novo boletim epidemiológico, divulgado anteontem, mostram que, em 2007, foram registrados 315 casos novos de aids entre garotas com idade entre 13 e 19 anos. Na mesma faixa etária, os garotos motivaram 235 notificações da doença.

De acordo com a diretora do Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, as garotas ainda possuem baixo poder de negociação para que os companheiros utilizem preservativo. “Esse valor cultural pesa em todas as faixas etárias. As meninas tradicionalmente dependem dos meninos para o uso da camisinha”, afirma Simão.

Em uma pesquisa do Ministério da Saúde realizada com estudantes entre 2006 e 2007, quando foram questionadas sobre o motivo pelo qual não usaram o preservativo na última relação sexual, a primeira razão que as meninas apontaram foi a confiança no parceiro. Entre os meninos, 7% apontaram esse motivo, de acordo com Mariângela Simão.