Principalmente para as mulheres, este é chamado de “o grande dia”, aquele que inaugura uma nova etapa da vida. Não foi diferente para Mábile Oliva Gonçalves, que subiu ao altar ontem, em Bauru. Mas além de dar início à construção de uma vida a dois ao lado de Rodrigo Reis Hotero, o casamento para a administradora significou transformar em realidade o que ela tinha idealizado no papel. Ecologicamente correta, a cerimônia religiosa e festa do casal foram realizadas com muito verde, material reciclável e coleta seletiva, concretizando a tese de pós graduação da noiva em educação ambiental.
“Eu finalizei a pós este ano e a monografia entregue descreve tudo o que vai acontecer aqui hoje (ontem). A idéia foi aproveitar o casamento, um momento em que as pessoas estão sensibilizadas, para levar conhecimento, além de diversão. Chegou o momento de colocar em prática para ver se tudo o que eu dissertei vai acontecer”, comenta Mábile.
E era isso que ela estava fazendo a poucas horas do casamento ao receber a reportagem: a administradora dispensou as regalias típicas de noivas - que vão de banho de rosas à limpeza de pele - para conferir de perto se tudo estava sendo feito como arquitetou. “A parte de noiva mesmo acabou ficando até secundária. Eu estava muito mais preocupada com o meu papel enquanto educadora, pensando em questões como as pessoas vão se sentir, o que vai ficar nelas depois dessa iniciativa. Acho que noiva mesmo, estou sendo só hoje”, diverte-se.
“Com o curso na faculdade, ela enxergou a possibilidade de transformar nosso casamento em uma oportunidade de mostrar às pessoas a importância da conscientização ambiental. Então, eu abracei a idéia na hora e apoiei ela ao máximo”, comenta o noivo, também administrador. Embora na época estudantes de administração da mesma faculdade e funcionários da mesma empresa em Bauru, o casal se conheceu há cerca de cinco anos pela Internet. “Começamos a conversar, um dia marcamos de nos encontrar e estamos juntos até hoje”, resume o noivo. Hoje, o casal reside em Ribeirão Preto, mas suas famílias continuam em Bauru.
Aliança verde
Ao invés de uma cerimônia e festa abarrotada de flores, os convidados de Mábile e Rodrigo seriam recebidos com muito verde. Para a decoração dos espaços e enfeites como os da mesa, o casal abriu espaço para as plantas como jabuticabeiras, pimenteiras e bromélias, além de arranjos com galhos e folhas secas. “Foram todas plantadas em vasos para que elas continuem vivas. A única exceção que eu abri com certa relutância foi a presença de algumas flores brancas na igreja. Como envolve família, temos convidados com já certa idade e o casamento ser uma coisa que mexe com a religião das pessoas, não queríamos ser tão agressivos no visual”, explica a noiva.
Outra troca feita pelo casal foram os tradicionais convites em papel por modelos enviados por mídia e Internet. “As pessoas receberam um DVD e convites virtuais. Lá, além das informações sobre o casamento, eles encontraram conteúdo e links sobre meio ambiente”, descreve a noiva. Preocupada ainda com o desperdício de papel, o cardápio foi feito de material reciclado e as fotos não serão ampliadas. Já as esperadas “lembrancinhas” serão mudas de ipê branco e pau brasil. “Essa foi uma forma que encontramos para neutralizar o carbono gerado pela festa, já que muitos se deslocaram de Ribeirão até aqui”, explica.
Outra preocupação dos noivos foi solicitar a separação do lixo e a reciclagem de todo resíduo gerado. “O local que escolhemos para fazer a festa já tem essa preocupação. Então, todo o lixo terá a destinação correta, sendo encaminhado a recicladores. “O trabalho começou com um processo de orientação e educação desde os fornecedores e vai culminar com os convidados. Esperamos que isso se torne uma prática e acredito que os resultados já estão acontecendo. As pessoas podem até pensar nos valores, mas acabou ficando até mais barato, principalmente pelo custo que cortamos com as flores e fotos”, espera.