10 de julho de 2026
Geral

Meia hora de tempestade inunda casas, derruba muro e corta energia elétrica

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Pouco mais de meia hora durou a tempestade de ontem de madrugada em Bauru. A chuva forte, seguida de raios, provocou estragos em bairros, especialmente aqueles desprovidos de pavimentação asfáltica, inundou casas, queimou semáforos, derrubou muro sobre carros, atingiu o Centro Administrativo da prefeitura causando danos em 15 computadores e deixou um rastro de muita sujeira. Em três bairros, houve interrupção do fornecimento de energia por cerca de 40 minutos.

O caso mais grave foi registrado no Jardim Nicéia, na rua cinco (Dolores Fernandes Valderrama), onde a enxurrada invadiu uma casa e desabrigou, temporariamente, os moradores. Laís Santos Silva, uma das moradoras, conta que levou o maior susto. “Acordei com a água entrando numa velocidade incalculável. Pulei da cama e a enxurrada alcançou meu joelho.”

A jovem ficou assustada com tanta água. “A água entrava por tudo. As camas boiavam. Os armários, geladeira e fogão foram invadidos pelo lama. Perdemos tudo, inclusive documentos.” A mãe dela, Elza Pereira diz que faz 20 anos que mora no Nicéia e nunca sofreu com inundações. “A enxurrada era forte demais. Perdemos tudo. A compra que estava na geladeira e nos armários foi levada pela água da chuva que entrou carregando tudo o que tinha pela frente. Até as roupas das gavetas do guarda-roupa ficaram sujas.”

Larissa dos Santos da Silva dormia com o filho de 6 meses quando percebeu que a cama flutuava. “Eu não sabia o que fazer. Temi pelo meu filho. Perdi muita coisa. As fraldas descartáveis foram inutilizadas. Roupas e colchões foram perdidos.”

O coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, classificou o caso da família de Elza como o mais grave ocorrido durante a tempestade. “Outras casas do Nicéia foram invadidas pela lama, mas com estragos menores. Nessa residência, a água chegou a 70 centímetros de altura. São residências baixas, com pé direito baixo, o que facilita a entrada da água pluvial. A perda foi total. A família vai aproveitar pouca coisa. Entregamos colchonetes e cobertores nesse primeiro momento.”

As ruas do bairro ficaram intransitáveis e em processo erosivo, o que exigiu reparos paliativos da Secretaria de Obras. “Estamos tentando recuperar as vias para o trânsito de ônibus”. Segundo Brito, o bairro será urbanizado com recursos do Ministério das Cidades. A Secretaria Municipal do Planejamento(Seplan) cuida dessa área para a melhoria, inclusive nas residências. “É necessário investir em galerias de grande diâmetro, porque a água pluvial sai da rodovia e vai direto para o bairro. Algumas casas estão abaixo da altura da rua, o que facilita a entrada da enxurrada.”

Outros dois casos mereceram a atenção da Defesa Civil. A ameaça de queda de um muro no residencial Tavano, que poderia comprometer uma casa de luxo, segundo Brito. “A água está passando por baixo do muro e chega à residência. Como havia perigo do muro desabar e atingir a área de lazer e parte da cozinha da casa, os bombeiros e o pessoal do condomínio fizeram o escoramento.”

Para os donos da casa, o transtorno foi sinônimo de fim de festa, segundo o coordenador da Defesa Civil. “Eles estavam com visitas de várias cidades. Ia ser realizada uma festa na casa. As visitas foram para um hotel. A empresa que construiu o muro, que fica em Ourinhos, se comprometeu a mandar um técnico para verificar os danos.”

O Centro Administrativo da prefeitura, na avenida Nuno de Assis, também foi atingido pela forte chuva. Um problema no telhado permitiu a entrada de água pluvial e danificou mais de 15 computadores.

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Defesa Civil foi acionada seis vezes

A Defesa Civil foi acionada seis vezes entre as 4h30 e 6h da manhã de ontem, segundo o coordenador Álvaro de Brito. “Alguns casos exigiram apenas orientação. Foram casos de enxurrada que invadiu casas, mas em menor proporção, molhando carpete, pé de sofá, etc.”

Na opinião de Brito, a precipitação de ontem foi uma pequena mostra do que está por vir com a temporada de chuvas de verão. “Há uma tendência de sofrer os mesmo problemas várias vezes até o início de abril . Todo ano, os mesmos locais são castigados sucessivamente pelas chuvas. Não teve desabrigado. A família do Jardim Nicéia ficou desalojada momentaneamente. A possibilidade de novas tempestades não está descartada.”

O Corpo de Bombeiros, que atende pelo telefone 193, recebeu cerca de 50 ligações entre 5h e 6h da madrugada de ontem, informou o atendente do Centro de Operações do Corpo de Bombeiros (Cobom).

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‘Escuridão’ atingiu três mil

Cerca de três mil consumidores ficaram sem energia elétrica durante 40 minutos, a partir das 6h30, em Bauru. Moradores da Bela Vista, Vista Alegre e Vila Camargo foram os mais afetados, informou o engenheiro líder da CPFL/Bauru, Gustavo de Paula Cortezia. “Tivemos uma interrupção por conta de uma descarga atmosférica. O sistema de proteção desliga para evitar queima de equipamentos. Para o retorno é necessário percorrer o trecho e verificar se não existem danos. Isso levou cerca de 40 minutos.”