08 de julho de 2026
Bairros

Ex-palhaço e sargento hoje é ‘picolezeiro’

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 1 min

Um carrinho equipado com retrovisor, buzina, guarda-sol e cheio de picolés é o instrumento de trabalho de Vanderlei Gomes, 62 anos. Protegido por um chapelão e com o uniforme da empresa onde trabalha, ele percorre os bairros de Bauru vendendo a delícia gelada. Mas antes de conceder a entrevista, já esclarece: “Não sou sorveteiro, não! Eu não faço sorvetes, apenas vendo. Sou picolezeiro”, diferencia-se, orgulhoso.

Gomes conta que sua ligação com o sorvete data de sua infância. “Me lembro como se fosse hoje, quando o Brasil ganhou a Copa do Mundo de Futebol em 1958, eu e meus amigos fomos comemorar na sorveria. A partir daí eu vi que podia trabalhar vendendo sorvetes”, lembra.

Mas com o falecimento de seus pais e de sua avó, Gomes precisou ganhar a vida e saiu da cidade em busca de novas oportunidades. “Fui para São Paulo e lá trabalhei de palhaço em um circo. Depois me formei militar e me aposentei como sargento. Voltei para Bauru para vender picolés”, relata.

No verão, ele carrega o carrinho duas vezes e vende cerca de 250 picolés por dia. “Neste período vendo mais, o sol vai até mais tarde e isso ajuda muito. Mas no inverno não é tão diferente! Eu sempre digo que é fácil vender fantasia no Carnaval, mas quero ver vender na quaresma. Comigo não! Trabalho o ano todo da mesma forma”, garante.

Visando chamar a atenção, Gomes pensa em aprimorar seu carrinho. “Ele é o meu charme, por isso vou investir. Quero colocar mais uma caixa para abrigar maior quantidade de sorvetes. Também pretendo instalar um som, vai ajudar muito, além de animar minhas horas de trabalho”, planeja.