09 de julho de 2026
Geral

Associações estão sobrecarregadas

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

O alento das entidades em assistir animais antes vítimas de maus-tratos hoje sadios e brincalhões também tem um preço. Independentes, as ONGs, em sua maioria, se mantêm por meio de doações e, se os recursos são escassos, o mesmo não ocorre com a demanda de atendimentos.

Segundo as entidades SOS Gatinhos, Naturae Vitae e Vida Digna, aumentou a quantidade de cães e gatos jogados à própria sorte na cidade, apesar da ausência de números que comprovem o crescimento do abandono. “As instituições estão sobrecarregadas”, observa a médica veterinária Valéria Medina Camprigner, de uma clínica veterinária da cidade.

Segundo ela, o abandono, apesar de mais constante entre as classes menos favorecidas, não é “privilégio” dos mais pobres. “Muitos casos de abandono acontecem independentemente ao poder aquisitivo. Ocorrem pela falta de consciência da pessoa, que não tem noção do que é ter um animal”, acentua a veterinária. “Muitos acham que o cachorro é de ‘pelúcia” e não cuidam”, sublinha.

A falta de noção de responsabilidade, comenta, extrapola a consciência – ou a falta dela – popular e atinge até mesmo instituições governamentais. “Li numa revista especializada que foi sugerida a pesquisa, para o censo 2010 do IBGE, sobre quantos animais haviam nas casas. O instituto alegou que isso não é importante”, protesta.

Por outro lado, a prefeitura, por meio do Centro de Controle de Zoonozes (CCZ), órgão vinculado à Secretaria Municipal da Saúde, diz que a quantidade de animais abandonados nas ruas diminuiu na cidade.

Conforme o CCZ, a quantidade de animais errantes no município diminuiu, principalmente, segundo nota enviada pela assessoria de imprensa da administração municipal, pelo fato desses estarem mais vulneráveis a doenças, entre elas a leishmaniose. Entre os animais domésticos, a prefeitura, utilizando dados do Instituto Pasteur, informa que Bauru possui 51.465 cães e 7.904 gatos na área urbana.

Entretanto, acentua a veterinária, a quantidade de abandonos cresce, justamente, pela doença. “Muitos não têm coragem de sacrificar o animal com leishmaniose e o abandonam. Quase todos os abandonados têm a doença”, atesta a veterinária, que, apesar de contrariar a alegação da prefeitura, valoriza o trabalho do CCZ.

“Existe um preconceito muito grande quanto ao CCZ. Não há o sacrifício de todos os animais mandados para lá”, pondera. “A eutanásia é necessária em casos de doença grave e, em caso de muito sofrimento, é melhor o sacrifício do que deixar o animal nesse estado”, ressalva.