08 de julho de 2026
Cultura

‘Mangás Imigrantes’

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Uma ficção baseada na história dos imigrantes japoneses da região contada através de mangás. Trata-se do livro “Mangás Imigrantes”, da professora doutora Terezinha Zanlochi, que será lançado hoje, às 21h, no hall de entrada do Teatro Veritas.

A obra, com 56 páginas, é baseada nas histórias de vida coletadas por 21 alunos da disciplina de história do Brasil III, da Universidade do Sagrado Coração (USC), orientados pela professora Terezinha, que entrevistaram 11 imigrantes japoneses ou os seus descendentes, que vieram ao Brasil na primeira metade do século 20.

A obra foi escrita em português e japonês. Até a metade do livro, ele está em português, depois o leitor inverte a leitura e a contracapa, na verdade, é o início do livro em japonês.

Para ilustrar o livro, foi contatado o ilustrador Diogo Abreu Scudeller. “Ele aceitou o desafio e iluminou o texto com suas gravuras expressivas. Em seguida, contatamos o tradutor Massaru Ogino, filho de imigrantes, que se prontificou em somar conosco, porque já tinha experiências em trabalhos de tradução. No mangá, segundo ele, usa-se o ideograma Hirakana e também o Katakana, mas, como na língua japonesa há palavras com o mesmo som e significados diferentes, é oportuno o uso do Kanji, ideograma chinês, para evitar cacofonias e pleonasmos”, conta a professora Terezinha.

“A metodologia utilizada nesta pesquisa baseou-se na técnica de documentação oral e foi realizada em 2007. Os alunos utilizaram uma filmadora em função da autenticidade (imagem, movimento labial e tom de voz) que o suporte oferece para a técnica em questão. Organizou-se um instrumento de coleta de dados de forma aleatória, cujo objetivo específico, qual seja, o resgate histórico do cotidiano dos imigrantes japoneses em nossa região, fosse atingido”, explica ela.

Cada dupla de alunos buscou um imigrante ou descendente direto deles, e realizou a filmagem, em dia e hora agendados. Em seguida, decodificaram a gravação em textos e documentaram a permissão do uso das entrevistas para fins de pesquisa, que resultou em três produtos. “O primeiro produto foi a organização de uma exposição itinerante, composta por 12 painéis, registrando as histórias de vida dos entrevistados. Esta exposição foi indexada no IPHAN e publicada em nível nacional. Aberta ao público durante a Semana Nacional dos Museus, na Universidade do Sagrado Coração (USC), recebeu, aproximadamente, 8.500 visitantes”, detalha a professora.

O segundo produto foi a elaboração, edição e apresentação de um documentário em DVD, organizado pelos assuntos gravados nas entrevistas, enfocando as opiniões de cada imigrante. Os entrevistados e os alunos envolvidos receberam uma cópia.

“Agora, o terceiro produto da pesquisa, é a produção de um texto de literatura, o livro `Mangás Imigrantes´, criado por mim, com base na mixagem dos fatos acontecidos na trajetória de adaptação daqueles imigrantes no Oeste Paulista. A história iluminada pelas imagens mangás revela momentos hilários, significativos das dificuldades da comunicação que eles enfrentaram com bom humor”, detalha a professora.

Em 1990, as revistas de mangás ganham popularidade no Brasil e infiltraram-se no cotidiano de estudos e leituras dos brasileiros, numa autêntica interação entre a cultura japonesa e brasileira.

____________________

Grupo de trabalho

Os graduandos e entrevistados que formaram o grupo de trabalho foram Amanda de Souza Jerônimo e Luciana Barraviera Ribeiro: Isabel Onohara (engenharia de jardim); Adalberto Gonçalves dos Santos de Oliveira e Viviane Aline de Souza: Massaru Ogino (economista); Carla Patrícia Juraci e Márcia Regina Zamariolli: Luis Yassuo Nakamura (cultivador de bonsai); Fabrício Silva e Solange Nágela Pereira Bezerra: Shozo Nakamine (monge da Igreja Tenri); Guilherme Cortez Ervilha e Laura Laís de Oliveira: Julio Akio Kosaka (advogado); João Evandro Biazotto e Daniele Marques Braga:Tetsuo Makuda (agricultor); José Donizete de Souza e Terezinha Santarosa Zanlochi: Tadanali Sato (agricultor); Léa Mattozinho Aymoré e Rafael Ribeiro dos Santos: Giro Ishikawa ( ex-vereador); Luis Fabiano Santos Gomes e Marcos Aurélio Vieira: Masamitsu Kosaka (fotógrafo); Luiz Eduardo Tonéis e Mário Alberto Gonçalves da Silva Engel: Kikuiu Matuta (agricultora) e, Lyslley Ferreira dos Santos e Márcia Estefânia da Costa Berbare Moreira: Midori Otake Yamada (psicóloga).