08 de julho de 2026
Geral

AHB visa melhoria do atendimento

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Criação de protocolos para atendimento nas especialidades oferecidas. Essa é uma das metas da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) - entidade que administra a Maternidade Santa Isabel e o Hospital de Base - para otimizar o atendimento aos pacientes. Para melhorar o gerenciamento, foi contratado um diretor técnico para coordenar as atividades do corpo clínico. Um mês depois da deflagração da Operação Odontoma, que determinou o afastamento de boa parte da diretoria da entidade por suspeita de irregularidades, a AHB mantém o mesmo volume de procedimentos e busca modernização e profissionalização da estrutura para continuar atendendo a população.

Em entrevista ao Jornal da Cidade, o interventor Fábio Tadeu Teixeira explica que durante os últimos 30 dias a média de atendimentos foi mantida. “Isso nos agrada. Depois de um evento como este, a expectativa é que tudo caia. E os números mostram que os hospitais não pararam e até cresceram em alguns aspectos”, informa.

Teixeira foi nomeado interventor da AHB com o objetivo de recuperar a instituição e manter o atendimento da entidade, que recebe pacientes particulares e do Sistema Único de Saúde (SUS). No primeiro mês de atividade, ele destaca que os principais desafios foram o gerenciamento da crise após a deflagração da operação e a renegociação da dívida junto à Receita Federal.

Além disso, destaca a dificuldade de lidar com os equipamentos antigos da entidade. “A precariedade do parque tecnológico toma muito tempo. A todo momento você tem que estar atrás de consertos, conseguir peças, já que são máquinas bastante antigas”, aponta.

Mas, houve avanços durante o período. Para restabelecer o gerenciamento da entidade, foi contratado o médico Aparecido Donizete Agostinho, que já atuava na AHB. “Contratamos um diretor técnico que foi escolhido pela credibilidade que goza junto dos outros profissionais. Ele vai coordenar as atividades dos médicos do hospital”, pondera Teixeira.

Funcionários

Na avaliação do interventor, a nomeação do diretor técnico proporcionou maior segurança ao corpo clínico. Mas ele admite que ainda há receio entre os 1,2 mil funcionários da associação. “Os colaboradores ainda têm suas angústias e dúvidas. A gente tem passado para eles uma tranqüilidade, mas toda a situação tem gerado receio sobre o futuro e trabalho”, destaca.

Para não gerar mais instabilidade, não foram feitas mudanças de cargos. “Mas, vimos que algumas áreas precisam ser remodeladas e os quadros oxigenados”, admite. Ele também reconhece a necessidade de investir nos funcionários. “Temos de trazer conhecimento e incrementar a educação continuada no hospital. Não havia possibilidade de trazer para os colaboradores novas técnicas, novos procedimentos e aprimoramento profissional”, destaca.

Reestruturação

Outro passo importante destacado pelo interventor foi a contratação de uma auditoria interna composta por um médico, uma enfermeira e um administrador para estudar a melhoria do atendimento aos pacientes e melhorar a gestão de recursos. “O primeiro passo foi organizar o fluxo de informações e avaliar a qualidade do prontuário médico. Posteriormente, vamos começar a montar sistemáticas de assistência”, destaca o interventor.

Ele destaca que serão elaborados padrões de atendimento para as especialidades médicas. “Hoje, uma das especialidades que exigem o maior recurso do hospital é a ortopedia. E não existe muito padrão, um protocolo nessa área. A idéia é reunir ortopedistas e criar protocolo para ter mais eficiência na assistência, que vai gerar economia de recursos, que poderão ser reaplicados no atendimento”, explica Teixeira.

O próximo passo, informa o interventor, é recompor a estrutura organizacional da entidade. “Já temos o organograma montado, agora procuramos profissionais que possam ocupar esses espaços que criamos”, diz.

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Revisões

O departamento jurídico da AHB está revendo todos os contratos com fornecedores da entidade. Ela também está levantando todos os processos que a instituição está envolvida, nas esferas trabalhista, cível e tributária. “Estamos revendo todas as empresas que trabalham conosco. A questão contratual e como ela foi pactuada”, destaca.

“Precisamos dar uma oxigenada no grupo de fornecedores que temos aqui. E agora, com a expectativa que temos de entrar novos recursos, temos a possibilidade de efetuar pagamentos mais regulares e com isso, vamos ampliar nossa carteira de fornecedores, informa.

“Há uns três meses, você não escolhia de quem iria comprar, você tinha que comprar de quem vendia. Entramos numa fase tal que todos os instrumentos de gestão foram colocados de lado, em prol da sobrevivência do hospital. E isso era muito frustrante”, diz. “O fornecedor novo não queria vender sem a garantia de que iria receber. Ele puxava nossa ficha na Serasa e desistia de vender para a AHB. E isso precisa ser revertido”, destaca.